AVE Isquêmico: O Papel do AAS na Prevenção Secundária

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023

Enunciado

Roberto, um homem de 58 anos, é portador de hipertensão arterial, diabetes mellitus e hipotireoidismo. Há cerca de dois meses, ele sofreu um AVE isquêmico, apresentando diminuição de força em dimídio esquerdo, necessitando de auxílio para marcha. Desde que ocorreu o AVEi, Roberto não recuperou completamente a função cognitiva, apresentando dificuldade em compreender fala, acalculia e diminuição da memória de curto prazo. Considerando o caso descrito e seus conhecimentos, julgue o item a seguir. O uso de ácido acetilsalicílico está contraindicado para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Pós-AVE isquêmico, AAS é essencial para prevenção secundária, salvo contraindicações absolutas.

Resumo-Chave

O ácido acetilsalicílico (AAS) é a terapia antiplaquetária de primeira linha para prevenção secundária de eventos isquêmicos em pacientes que sofreram um AVE isquêmico, a menos que haja uma contraindicação formal. As comorbidades do paciente (HAS, DM, hipotireoidismo) são fatores de risco para AVE, mas não contraindicam o uso de AAS.

Contexto Educacional

O acidente vascular encefálico isquêmico (AVEi) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade global, com alta taxa de recorrência. A prevenção secundária é fundamental para reduzir o risco de novos eventos e melhorar o prognóstico dos pacientes. O manejo pós-AVEi envolve o controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular e a terapia antiplaquetária. O ácido acetilsalicílico (AAS) é um antiplaquetário amplamente utilizado e comprovadamente eficaz na prevenção secundária de eventos trombóticos arteriais, incluindo o AVEi. Sua ação se dá pela inibição irreversível da ciclooxigenase-1 (COX-1) nas plaquetas, reduzindo a produção de tromboxano A2 e, consequentemente, a agregação plaquetária. A dose recomendada para prevenção secundária geralmente varia de 75 a 325 mg/dia. É crucial avaliar cuidadosamente o perfil de risco-benefício do AAS, considerando as comorbidades do paciente e o risco de sangramento. Embora existam contraindicações absolutas, como sangramento ativo ou alergia grave, a maioria dos pacientes com AVEi se beneficia do uso contínuo de AAS. O manejo da polimorbidade, como hipertensão e diabetes, é igualmente importante para otimizar a prevenção secundária e a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações do ácido acetilsalicílico na prevenção secundária de eventos cardiovasculares?

O AAS é indicado na prevenção secundária de eventos cardiovasculares em pacientes com histórico de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico isquêmico, angina instável, doença arterial periférica e após procedimentos de revascularização.

Quais são as contraindicações absolutas para o uso de AAS?

As contraindicações absolutas para o uso de AAS incluem hipersensibilidade conhecida ao salicilato, asma induzida por salicilatos, úlcera péptica ativa, sangramento gastrointestinal recente, distúrbios hemorrágicos e uso concomitante de anticoagulantes orais em doses elevadas.

Quando se deve considerar outra terapia antiplaquetária em vez do AAS após um AVE isquêmico?

Outras terapias antiplaquetárias, como o clopidogrel, são consideradas em pacientes com intolerância ou contraindicação ao AAS, ou em casos específicos de alto risco, como na prevenção secundária de AVE em pacientes com estenose intracraniana sintomática grave.

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