HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Durante uma visita domiciliar, o médico atende Carolina, de 76 anos, com história de duas quedas nos últimos seis meses (uma ao levantar-se à noite e outra no banheiro). Refere tontura ao levantar, medo de cair e sente que está diminuindo sua capacidade de fazer as atividades do dia a dia. Atualmente está em uso de hidroclorotiazida 25 mg/d, metoprolol 50 mg 2x/d e clonazepam 0,5 mg à noite, sem modificação recente nas medicações. No domicílio, notam-se tapetes soltos na sala e iluminação fraca no corredor para o banheiro. Carolina usa chinelos moles e, às vezes, caminha de meias. Ao exame físico, nota-se marcha lenta, sem sinais neurológicos focais. PA sentada: 140x85 mmHg; PA ortostática: 130x80 mmHg. Qual é a conduta com maior impacto imediato na redução do risco de novas quedas nesse caso?
Quedas em idosos → Revisar polifarmácia (BZD/Psicotrópicos) + Treino de força/equilíbrio = ↓ Risco imediato.
A abordagem multifatorial é padrão-ouro, mas a desprescrição de psicotrópicos e o exercício físico direcionado são as intervenções com maior impacto na redução de novos eventos.
A síndrome de quedas no idoso é um evento sentinela que frequentemente indica declínio funcional ou iatrogenia. A avaliação deve ser multidimensional, englobando fatores intrínsecos (visão, força, equilíbrio, cognição) e extrínsecos (ambiente). Entre as intervenções, a revisão da farmacoterapia é prioritária, especialmente a retirada de drogas 'Z', benzodiazepínicos e neurolépticos. Associar essa medida a um programa de reabilitação física focado em equilíbrio e resistência muscular oferece a melhor proteção contra a recorrência de quedas e suas complicações graves, como a fratura de fêmur.
Os benzodiazepínicos, como o clonazepam, aumentam drasticamente o risco de quedas devido aos seus efeitos colaterais: sedação residual, tontura, relaxamento muscular e prejuízo na coordenação motora (ataxia). Em idosos, a meia-vida dessas drogas é prolongada, aumentando o risco de acúmulo e toxicidade. A desprescrição gradual é recomendada pelos Critérios de Beers como uma das medidas mais eficazes para melhorar a estabilidade postural e reduzir fraturas.
Embora a modificação do ambiente (iluminação, retirada de tapetes) seja importante, o exercício físico de força e equilíbrio atua na causa intrínseca da instabilidade. O treino melhora a propriocepção, a força dos membros inferiores e a resposta de proteção durante um desequilíbrio. Estudos mostram que programas de exercícios supervisionados têm um NNT (número necessário para tratar) menor para prevenir quedas do que intervenções puramente ambientais.
A desprescrição deve ser lenta e gradual (tapering) para evitar sintomas de abstinência e rebote da insônia ou ansiedade. Geralmente, reduz-se 25% da dose a cada 1-2 semanas. O suporte educacional ao paciente e a substituição por medidas de higiene do sono são fundamentais para o sucesso da retirada, reduzindo o risco de quedas sem comprometer o bem-estar psíquico do idoso.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo