Prevenção de Quedas em Idosos com Parkinson: Foco na Visão

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 79 anos de idade, tem diagnóstico de doença de Parkinson há dois anos, em uso de L-dopa. Refere duas quedas nos últimos 90 dias, a primeira ao atravessar a rua perto de sua casa, e a segunda, ao procurar um banheiro dentro do shopping center. Apresenta hipertrofia prostática benigna, referindo urgência miccional com raros episódios de perda urinária involuntária. Afirma ter dificuldade visual para médias distâncias e baixa adesão ao uso de óculos, tendo sido a última consulta oftalmológica há 1,5 ano. Em triagem mais recente, visão medida 20/60. Pratica exercícios físicos supervisionados com educador físico, três vezes por semana, há 1 ano. Testes físicos: (a) velocidade de marcha = 1,2 m/s; (b) SPPB = 10 pontos; (c) Timed Up and Go Test = 12 segundos; (d) preensão palmar = 32 kgf. Qual das intervenções abaixo tem maior impacto em reduzir o risco de queda dessa pessoa?

Alternativas

  1. A) Melhorar a visão.
  2. B) Melhorar sintomas do trato urinário inferior.
  3. C) Melhorar sintomas do parkinsonismo.
  4. D) Melhorar a capacidade física.

Pérola Clínica

Idoso com quedas + visão subótima → Correção visual é a intervenção de maior impacto imediato.

Resumo-Chave

A correção de déficits sensoriais, especialmente a visão, é uma das intervenções mais eficazes e de maior impacto para reduzir o risco de quedas em idosos com múltiplas comorbidades.

Contexto Educacional

As quedas em idosos são eventos multifatoriais. No paciente com Doença de Parkinson, a instabilidade postural e a bradicinesia são fatores intrínsecos importantes, mas fatores extrínsecos e sensoriais (visão) frequentemente precipitam o evento. A acuidade visual de 20/60 indica uma perda significativa que compromete a segurança. Intervenções multifatoriais que incluem revisão de medicamentos, correção visual, adaptação do ambiente e exercícios de equilíbrio são o padrão-ouro. Neste caso específico, a evidência de visão subótima e falta de acompanhamento oftalmológico torna essa a prioridade máxima para intervenção imediata.

Perguntas Frequentes

Por que a visão é tão crítica para evitar quedas no Parkinson?

Pacientes com Parkinson dependem mais de pistas visuais para compensar a perda de reflexos posturais e o controle motor automático. Uma visão deficiente (como 20/60) impede a identificação de obstáculos e o planejamento antecipado da marcha, elevando drasticamente o risco de quedas.

O que define um alto risco de quedas neste paciente?

O histórico de duas quedas em 90 dias já o classifica como alto risco. Além disso, a acuidade visual reduzida e o uso de óculos desatualizados são fatores modificáveis que, se não corrigidos, anulam os benefícios de outras intervenções como a fisioterapia.

Melhorar a capacidade física não seria mais importante?

Embora o paciente já pratique exercícios e tenha testes físicos razoáveis (SPPB 10, TUG 12s), o déficit sensorial visual é uma barreira primária. Sem enxergar corretamente, a melhora da força muscular não previne quedas causadas por tropeços em obstáculos não visualizados.

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