INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um menino com 7 anos de idade é encaminhado à Unidade Básica de Saúde (UBS) pela escola devido ao fato de que ele não consegue aprender a ler, o que tem impactado o seu desempenho escolar no último ano. Segundo relato do psicólogo do colégio, suspeita-se que o menino tenha déficit de atenção. De acordo com o histórico familiar, a criança é um dos 3 filhos de um casal que mora em uma casa de dois quartos. A avaliação da Equipe de Saúde da Família revela que o comportamento do menino em casa é tranquilo, que ele apresenta concentração em suas atividades e brinca com seus irmãos; não troca letras; não troca fonemas; não esquece atividades corriqueiras. Ao médico da equipe, a criança refere não gostar da escola porque sua professora não gosta dele. O médico chama a professora à UBS e, juntamente com sua equipe, reestabelece um canal de diálogo entre a professora e o menino. Após 2 meses, a equipe recebe a noticia de que a criança está evoluindo bem na escola. O conjunto de medidas adotadas na condução desse caso insere-se como prevenção:
Prevenção Quaternária = Evitar excesso de intervenção médica e rotulagem diagnóstica desnecessária.
A prevenção quaternária foca em proteger o indivíduo de intervenções médicas desnecessárias e do risco de medicalização de problemas não patológicos.
A prevenção quaternária é um conceito fundamental na Medicina de Família e Comunidade e na Bioética contemporânea. Ela surge como uma resposta ao fenômeno do 'disease mongering' (comercialização de doenças) e à tendência crescente de transformar problemas cotidianos em patologias médicas. No caso apresentado, a dificuldade escolar da criança era um problema relacional e não neurobiológico. Ao intervir no diálogo entre escola e família, a equipe de saúde evitou o início de psicofármacos e a estigmatização da criança. Este nível de prevenção exige que o médico tenha uma visão crítica sobre as evidências científicas e os limites da medicina. Envolve a prática da 'espera vigilante' e a desmedicalização, priorizando abordagens não farmacológicas quando o sofrimento ou a disfunção podem ser resolvidos através de mudanças no ambiente ou no estilo de vida. É, em última análise, a aplicação do princípio 'primum non nocere' (primeiro não causar dano).
A prevenção quaternária é o conjunto de ações que visam identificar pacientes em risco de sobremedicalização, protegendo-os de intervenções médicas invasivas ou diagnósticos desnecessários. Ela busca evitar a iatrogenia e garantir que as ações de saúde sejam éticas e baseadas em evidências, respeitando a autonomia e a integridade do paciente contra o excesso de zelo diagnóstico.
No contexto escolar, muitas crianças são rotuladas com TDAH devido a dificuldades de aprendizagem que podem ter origens pedagógicas, sociais ou emocionais. A prevenção quaternária ocorre quando o médico, em vez de prescrever medicação imediatamente, investiga o contexto (como a relação com a professora) e evita um diagnóstico psiquiátrico desnecessário, prevenindo os efeitos colaterais de fármacos e o estigma do rótulo.
Primária: evita a doença (ex: vacina). Secundária: diagnóstico precoce/rastreio (ex: mamografia). Terciária: reduz sequelas de doença instalada (ex: reabilitação pós-AVC). Quaternária: evita o excesso de intervenção médica e a iatrogenia (ex: não tratar um achado incidental sem relevância clínica).
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