UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
Jaqueline, 20 anos, procura atendimento médico na UBS Pôr do Sol. Durante a consulta com a médica de família, Dra. Carla, Jaqueline diz que está muito preocupada com sua saúde ultimamente porque sua tia casada com o irmão de seu pai teve um princípio de infarto e, por isso, ela veio à consulta para fazer todos os exames necessários para se prevenir, como eletrocardiograma, ultrassonografia do coração, RX de tórax, exames de laboratório e que já iniciou o uso de sinvastatina 20mg por conta própria para a prevenção. Nega tabagismo, nega sedentarismo, nega alcoolismo, nega historia familiar de doenças cardiovasculares; em uso de DIU de cobre como método contraceptivo, PA 110/70 mmHg. Durante a consulta, a médica utiliza as técnicas do método clínico centrado na pessoa, explora suas expectativas, medos, finaliza o exame físico e a orienta, explicando que ela não tem critérios para risco cardiovascular e que não há necessidade nem recomendação para Jaqueline realizar os tais exames que ela gostaria de fazer e que suspenda o uso da sinvastatina. Diante deste caso clínico, a médica realizou qual tipo de prevenção na atenção primária?
Prevenção quaternária → evitar iatrogenia e sobremedicalização em pacientes sem indicação.
A prevenção quaternária foca em proteger os indivíduos de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas que podem causar danos (iatrogenia). No caso, a médica agiu corretamente ao desestimular exames e medicamentos sem indicação, evitando riscos e custos desnecessários para a paciente.
A prevenção quaternária é um conceito relativamente recente na medicina preventiva, mas de crescente importância, especialmente na Atenção Primária à Saúde. Ela se define como o conjunto de ações destinadas a identificar um paciente em risco de iatrogenia por intervenções médicas excessivas ou desnecessárias, protegendo-o de novas intervenções e propondo intervenções eticamente aceitáveis. Seu objetivo é evitar a sobremedicalização e o sobrediagnóstico, que podem levar a danos físicos, psicológicos e sociais. No caso apresentado, a paciente Jaqueline, sem fatores de risco cardiovascular, estava buscando exames desnecessários e utilizando um medicamento (sinvastatina) sem indicação clínica, motivada por uma preocupação familiar. A médica, ao orientá-la a suspender a medicação e a não realizar os exames, atuou diretamente na prevenção quaternária. Ela evitou que a paciente fosse submetida a riscos de efeitos adversos da sinvastatina, custos desnecessários com exames e a ansiedade gerada por possíveis 'achados' irrelevantes. Para residentes, compreender a prevenção quaternária é crucial para uma prática médica ética e centrada na pessoa. Significa saber quando NÃO intervir, quando desprescrever e quando tranquilizar o paciente, evitando a cascata de intervenções que muitas vezes mais prejudicam do que beneficiam. É um pilar para o uso racional dos recursos de saúde e para a promoção de uma medicina mais humana e menos intervencionista quando não há necessidade.
A prevenção quaternária é o conjunto de ações que visam identificar o paciente em risco de iatrogenia por intervenções médicas excessivas ou desnecessárias, protegendo-o de novas intervenções e propondo intervenções eticamente aceitáveis.
A prevenção primária visa evitar o surgimento da doença em indivíduos saudáveis, enquanto a quaternária busca evitar danos causados pela própria medicina (iatrogenia) em pacientes que podem estar sendo sobremedicalizados.
Ela se aplica ao desestimular exames de rastreamento sem indicação, evitar o uso de medicamentos desnecessários, combater a medicalização de processos fisiológicos e promover o uso racional de recursos de saúde.
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