CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020
L.M.D, 35 anos, sexo feminino, compareceu à consulta na UBS para solicitar uma ultrassonografia de tireóide. Relata que sua mãe de 56 anos teve câncer na tireóide. Não possui nenhuma queixa, apenas preocupação com o problema que a mãe teve. A paciente não possui problemas de saúde crônicos nem faz uso de medicamentos. Ao exame físico, a tireóide está eutrófica e sem nodulações palpáveis. A prevenção que deve ser aplicada neste caso é a:
Prevenção Quaternária → Evitar intervenções médicas desnecessárias em pacientes assintomáticos.
A prevenção quaternária foca em proteger os indivíduos de intervenções médicas que são desnecessárias, excessivas ou potencialmente prejudiciais. Neste caso, solicitar uma ultrassonografia de tireoide sem indicação clínica clara, apenas por ansiedade, poderia levar a um overdiagnóstico e sobretratamento de achados benignos.
A prevenção quaternária é um conceito relativamente novo na medicina, que visa proteger os indivíduos de intervenções médicas que são desnecessárias, excessivas ou potencialmente prejudiciais. Em um cenário de crescente medicalização e acesso a tecnologias diagnósticas, é fundamental que os profissionais de saúde saibam identificar quando uma solicitação de exame ou tratamento pode levar a um overdiagnóstico e sobretratamento, gerando ansiedade e iatrogenia. A importância da prevenção quaternária reside em sua capacidade de promover uma medicina mais centrada no paciente e baseada em evidências, evitando a "cascata diagnóstica" e terapêutica. Ela se diferencia da prevenção primária (evitar a doença), secundária (diagnóstico precoce) e terciária (reduzir impacto da doença estabelecida) ao focar na proteção contra os danos do próprio sistema de saúde. No caso apresentado, a paciente assintomática com histórico familiar de câncer de tireoide, mas sem outras queixas ou achados ao exame físico, busca um exame de imagem por ansiedade. A conduta de prevenção quaternária seria educar a paciente sobre os riscos do rastreamento indiscriminado (como a detecção de nódulos benignos que levariam a biópsias e cirurgias desnecessárias) e reforçar a importância de uma avaliação clínica criteriosa antes de solicitar exames complementares, evitando assim a medicalização de uma preocupação legítima, mas sem base clínica para investigação imediata.
A prevenção quaternária é o conjunto de ações para identificar um paciente em risco de overmedicalização e protegê-lo de intervenções médicas desnecessárias, excessivas ou potencialmente prejudiciais, mantendo-o livre de iatrogenia.
A prevenção secundária visa o diagnóstico precoce e tratamento de doenças em fase inicial (ex: rastreamento de câncer). A prevenção quaternária, por outro lado, busca evitar que indivíduos assintomáticos sejam submetidos a exames ou tratamentos desnecessários que podem gerar danos.
A prevenção quaternária é particularmente relevante em cenários onde há rastreamento excessivo, como em exames de imagem solicitados sem indicação clara, que podem levar à detecção de achados incidentais e a uma cascata de investigações e tratamentos desnecessários.
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