UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
José, 82 anos, comparece à consulta de cuidado programado/continuado na UBS de seu bairro para solicitar a renovação da receita das suas medicações. A médica de família e comunidade, Sara, nova na equipe, faz anamnese e exame físico detalhados e fica apreensiva em relação às medicações utilizadas pelo paciente. José é hipertenso e diabético, ex-tabagista há 10 anos e relata que, desde antes da pandemia, não realiza exames de rotina, por medo de contrair o coronavírus. Porém, relata estar bem, apenas “cansado pela idade”. Está em uso de losartana 50 mg duas vezes ao dia, anlodipino 5 mg uma vez ao dia, metformina 850 mg duas vezes ao dia e omeprazol 20 mg uma vez ao dia. A médica verifica a PA, que está 110x70 mmHg. Demais exames realizados estão todos sem alterações. Ela solicita os exames laboratoriais, mas resolve já iniciar a otimização dessas medicações, já que se preocupa com a prevenção quaternária. Diante desse quadro, a médica deve
Prevenção quaternária = evitar iatrogenia. Em idosos, desprescrição de omeprazol crônico é comum, especialmente sem indicação clara.
A prevenção quaternária visa evitar a iatrogenia e o excesso de intervenções médicas. O uso crônico de omeprazol em idosos, sem indicação clara (como esofagite erosiva ou uso de AINEs), é um alvo comum para desprescrição devido aos riscos de efeitos adversos (fraturas, infecções, deficiências nutricionais). A PA controlada sugere que o anlodipino não precisa ser suspenso de imediato.
A prevenção quaternária é um conceito fundamental na medicina contemporânea, especialmente na atenção ao idoso e em pacientes com polifarmácia. Ela se refere às ações para identificar um paciente em risco de iatrogenia devido a intervenções médicas excessivas e para protegê-lo de novas intervenções desnecessárias, propondo intervenções eticamente aceitáveis. Em outras palavras, é 'não fazer mal' ao paciente por excesso de cuidado. No caso de José, a preocupação com a prevenção quaternária é pertinente devido à sua idade avançada e ao uso de múltiplas medicações. O omeprazol, embora amplamente utilizado, tem riscos associados ao uso crônico em idosos, como aumento do risco de fraturas (osteoporose), infecções por Clostridium difficile, deficiência de vitamina B12 e magnésio, e nefrite intersticial. Se não houver uma indicação clara e contínua para seu uso (ex: esofagite grave, úlcera péptica ativa, uso de AINEs), a desprescrição deve ser considerada, acompanhada de orientação sobre hábitos alimentares para controle de sintomas dispépticos. A polifarmácia (uso de cinco ou mais medicamentos) é comum em idosos e aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos e síndromes geriátricas. A avaliação crítica da lista de medicamentos e a desprescrição, quando apropriado, são práticas essenciais para otimizar o tratamento, reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida do paciente idoso, alinhando-se aos princípios da prevenção quaternária.
A prevenção quaternária é a ação para identificar um paciente em risco de iatrogenia devido a intervenções médicas excessivas e protegê-lo de novas intervenções desnecessárias. Na geriatria, é crucial para evitar os danos da polifarmácia e do excesso de exames e tratamentos.
O uso crônico de omeprazol em idosos está associado a riscos como aumento de fraturas (osteoporose), infecções por Clostridium difficile, deficiência de vitamina B12 e magnésio, e nefrite intersticial, especialmente se não houver indicação clara.
A desprescrição deve ser considerada quando um medicamento não tem mais indicação clara, causa efeitos adversos, interage com outras drogas ou quando o benefício não supera o risco. Deve ser feita de forma gradual e monitorada, com o envolvimento do paciente e da família.
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