INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma mulher com 25 anos de idade, casada há um ano, vem à consulta médica de rotina na Unidade Básica de Saúde, com o objetivo de realizar uma revisão de saúde. Informa que se sente bem, não tem comorbidades e apresenta cartão de vacinas atualizado. Diz querer realizar uma bateria completa de exames, tais como: teste ergométrico, ultrassonografia total de abdome e tomografia de crânio. Relata sentir dor de cabeça esporádica associada a longos períodos sem se alimentar. Informa fazer uso de analgésicos, manter relações sexuais protegidas e ter realizado exames laboratoriais de sangue e urina há 3 meses, sem alterações. Exame físico sem alteração e pressão arterial = 120 x 80 mmHg. Considerando o caso acima descrito, responda a questão a seguir. Que perguntas devem ser feitas à paciente em relação a sua vontade de realizar exames?
Prevenção Quaternária = Proteger o paciente de intervenções médicas desnecessárias e danos potenciais.
Em pacientes jovens e assintomáticos, a solicitação de 'baterias de exames' sem indicação clínica fere os princípios da prevenção quaternária e aumenta o risco de iatrogenia.
A consulta de rotina em pacientes jovens e saudáveis é uma oportunidade para promoção de saúde e prevenção primária/secundária baseada em evidências, e não para rastreamento indiscriminado. A prevenção quaternária surge como um pilar ético para evitar a cascata diagnóstica. No caso descrito, a paciente solicita exames de alta complexidade (TC, Teste Ergométrico) sem qualquer indicação clínica ou fator de risco. O papel do médico é realizar a decisão compartilhada, explicando que exames não são isentos de riscos e que o rastreamento deve ser direcionado para condições onde o benefício comprovadamente supera o dano, como a coleta de citopatológico de colo uterino ou avaliação de risco cardiovascular conforme diretrizes.
É o conjunto de ações que visam identificar pacientes em risco de excesso de intervenção médica (overmedicalization), protegendo-os de novas intervenções desnecessárias e sugerindo alternativas eticamente aceitáveis. O foco é evitar o dano causado pela própria medicina (iatrogenia).
A abordagem deve ser baseada na escuta ativa e na exploração das expectativas e medos da paciente. Deve-se perguntar: 'O que você espera descobrir com esses exames?' ou 'Existe alguma preocupação específica ou histórico familiar que te preocupa?'. A partir daí, o médico deve explicar os riscos de falso-positivos e procedimentos invasivos desnecessários decorrentes de achados incidentais.
Os riscos incluem o overdiagnosis (diagnóstico de condições que nunca causariam sintomas) e o overtreatment. Por exemplo, uma TC de crânio desnecessária expõe a paciente à radiação e pode encontrar um achado benigno que levará a biópsias ou cirurgias arriscadas. O teste ergométrico em baixa probabilidade pré-teste gera muitos resultados falso-positivos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo