UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2017
O Sr. João da Silva, 81 anos, aposentado, não tabagista, vai ao médico sem queixas para continuar seu tratamento medicamentoso para hipertensão e pergunta se precisa fazer exames da próstata, que nunca fez, pois um cunhado de mesma idade acabou de operar a próstata por problemas miccionais. Perguntado, nega qualquer sintoma urinário e o médico lhe diz que não há necessidade nem recomendação de fazer exames da próstata, com o que se mostra satisfeito. Com relação a esse caso, é CORRETO afirmar que o médico:
Prevenção quaternária = evitar intervenções desnecessárias e seus danos, como rastreamento de Ca próstata em idosos assintomáticos.
A prevenção quaternária foca em proteger os pacientes de intervenções médicas que podem causar mais danos do que benefícios, especialmente em cenários de rastreamento para doenças com progressão lenta em idades avançadas. O rastreamento de câncer de próstata em homens > 75 anos assintomáticos não é recomendado devido ao risco de sobretratamento e complicações.
A prevenção quaternária é um conceito fundamental na medicina contemporânea, focando em evitar a sobremedicalização e os danos iatrogênicos decorrentes de intervenções desnecessárias. Ela é particularmente relevante em contextos de rastreamento para doenças crônicas ou de progressão lenta, onde os benefícios de um diagnóstico precoce podem não superar os riscos do processo diagnóstico e terapêutico, especialmente em populações específicas como os idosos. O objetivo é garantir que a intervenção médica seja sempre benéfica e alinhada com os valores e a expectativa de vida do paciente. No caso do câncer de próstata, o rastreamento com PSA e toque retal tem sido objeto de intenso debate. Embora possa detectar cânceres em estágios iniciais, muitos desses cânceres são indolentes e nunca progrediriam para causar sintomas ou morte. Em homens mais velhos (geralmente acima de 75 anos) ou com comorbidades significativas, a expectativa de vida pode ser menor do que o tempo necessário para que um câncer de próstata indolente se torne clinicamente relevante. Nesses casos, o rastreamento pode levar a um sobrediagnóstico e sobretratamento, com biópsias e terapias que acarretam riscos significativos (infecções, incontinência, disfunção erétil) sem um benefício claro na mortalidade. Portanto, a conduta do médico em não recomendar o rastreamento para o Sr. João, de 81 anos e assintomático, está alinhada com as diretrizes de prevenção quaternária e com as recomendações atuais de sociedades médicas. É crucial que os profissionais de saúde pratiquem a decisão compartilhada, informando os pacientes sobre os potenciais benefícios e danos do rastreamento, permitindo que façam escolhas informadas que respeitem suas preferências e contexto de vida. A discussão sobre a expectativa de vida e a qualidade de vida é central nessa abordagem.
A prevenção quaternária visa proteger os indivíduos de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas que podem causar danos. No rastreamento, ela é crucial para evitar o sobrediagnóstico e o sobretratamento, especialmente em doenças de progressão lenta em populações de baixo risco ou idosos, onde os riscos superam os benefícios.
As diretrizes atuais, como as da Sociedade Brasileira de Urologia e outras internacionais, não recomendam o rastreamento de câncer de próstata com PSA e toque retal em homens assintomáticos com mais de 75 anos, ou com expectativa de vida inferior a 10 anos, devido à baixa probabilidade de benefício e alto risco de danos.
Os danos potenciais incluem ansiedade pelo resultado do PSA, complicações da biópsia prostática (infecções, sangramento), e efeitos adversos do tratamento (cirurgia ou radioterapia) para cânceres indolentes que nunca causariam sintomas, como incontinência urinária e disfunção erétil, impactando significativamente a qualidade de vida.
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