MedEvo Simulado — Prova 2025
Dona Elza, 78 anos, é acompanhada pela Estratégia Saúde da Família devido a múltiplas comorbidades, incluindo hipertensão arterial, diabetes tipo 2, osteoartrite e insônia crônica. Ela faz uso contínuo de sete medicamentos: losartana, hidroclorotiazida, metformina, gabapentina, omeprazol, diclofenaco e zolpidem. Nos últimos meses, Dona Elza apresentou episódios de confusão mental intermitente e duas quedas sem fratura. Durante a consulta de revisão, a equipe da ESF, após avaliação detalhada, decidiu suspender o zolpidem e o diclofenaco, e ajustar a dose da gabapentina, visando melhorar a cognição e reduzir o risco de quedas. Essa intervenção da equipe de saúde exemplifica qual nível de prevenção?
Prevenção quaternária = evitar iatrogenia; desprescrição em idosos com polifarmácia é exemplo chave.
A prevenção quaternária foca em proteger os pacientes de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias que possam causar danos. A revisão da polifarmácia em idosos, com a suspensão de medicamentos potencialmente inadequados para reduzir o risco de iatrogenia (como quedas e confusão mental), é um exemplo clássico dessa abordagem.
A prevenção quaternária é um conceito relativamente recente na saúde pública, que visa proteger os indivíduos de intervenções médicas que podem ser excessivas, desnecessárias ou potencialmente prejudiciais. Em um cenário de avanços tecnológicos e crescente medicalização, torna-se crucial reconhecer e mitigar a iatrogenia, ou seja, os danos causados pela própria prática médica. Este nível de prevenção é particularmente relevante na atenção primária e em populações vulneráveis, como os idosos. No caso de Dona Elza, a polifarmácia é um fator de risco significativo para iatrogenia, especialmente em idosos, que são mais suscetíveis a efeitos adversos devido a alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento. Medicamentos como zolpidem (sedativo-hipnótico) e diclofenaco (AINE) são conhecidos por aumentar o risco de confusão mental, quedas e outras complicações em idosos. A gabapentina, embora útil, também pode contribuir para sedação e tontura, exigindo ajuste de dose. A intervenção da equipe da Estratégia Saúde da Família, ao revisar a medicação, suspender fármacos inadequados e ajustar doses, exemplifica perfeitamente a prevenção quaternária. O objetivo não é tratar uma nova doença, reabilitar ou promover saúde em sentido amplo, mas sim evitar que a própria intervenção médica (a polifarmácia) cause mais danos à paciente, melhorando sua cognição e reduzindo o risco de quedas. Essa abordagem reflete uma medicina mais cautelosa e centrada no paciente, buscando o equilíbrio entre os benefícios e os riscos dos tratamentos.
A prevenção quaternária é o conjunto de ações para identificar um paciente em risco de iatrogenia e protegê-lo de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas. Seu objetivo principal é evitar ou minimizar o dano causado pela própria medicina.
A polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos) em idosos aumenta significativamente o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos e iatrogenia. A prevenção quaternária atua revisando e desprescrevendo medicamentos para reduzir esses riscos, melhorando a qualidade de vida e segurança do paciente.
A desprescrição pode reduzir o risco de quedas, confusão mental, hospitalizações, interações medicamentosas e efeitos adversos, além de melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida. Ela otimiza a farmacoterapia, focando nos medicamentos realmente necessários.
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