IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
LMS, 45 anos, médica, moradora de um município do interior de Minas Gerais, procura médico Psiquiatra devido ao surgimento de sintomas depressivos e perda de prazer em atividades antes prazerosas. Ao ser questionada sobre seu histórico familiar, nega história para doenças mentais e conta que mãe e avó materna e um tio paterno tinham Diabetes Mellitus tipo 2 e conta de seu medo de desenvolver futuramente a doença. Iniciou uso por conta própria de metformina 500mg ao dia a fim de prevenir Diabetes Mellitus. Apresenta, no momento, altura de 1,72m e peso de 73kg. Durante atendimento, além de condutas adotadas para saúde mental, o psiquiatra explicou à paciente sobre a necessidade de retirada da medicação. A prevenção que foi realizada pelo psiquiatra quanto à medicação já em uso pela paciente se encaixa em qual nível?
Prevenção quaternária = evitar iatrogenia e supermedicalização em pacientes com baixo risco.
A prevenção quaternária foca em proteger os indivíduos de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas que possam causar mais danos do que benefícios. No caso, a paciente, sem diagnóstico de diabetes e com IMC normal, estava usando metformina por conta própria para prevenção, o que configura supermedicalização e um risco de iatrogenia.
Os níveis de prevenção em saúde pública são conceitos fundamentais para a prática médica e a organização dos sistemas de saúde. A prevenção primária visa evitar o surgimento da doença (ex: vacinação); a secundária busca o diagnóstico e tratamento precoce para deter a progressão (ex: rastreamento de câncer); e a terciária foca na reabilitação e minimização das sequelas de uma doença já estabelecida. No entanto, com o avanço da medicina e a crescente medicalização da vida, surgiu a necessidade de um quarto nível. A prevenção quaternária, introduzida mais recentemente, tem como objetivo proteger os indivíduos de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas, que podem causar mais danos do que benefícios (iatrogenia). Ela se manifesta na desprescrição de medicamentos inadequados, na evitação de exames de rastreamento com baixo benefício e alto risco, e na promoção de um cuidado mais racional e centrado no paciente, evitando a supermedicalização. No caso apresentado, a paciente, sem diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 e com IMC normal (peso 73kg, altura 1,72m, IMC = 24.67 kg/m²), estava utilizando metformina por conta própria para "prevenir" a doença. Essa conduta é um exemplo clássico de supermedicalização e uso indevido de medicação, com potencial para efeitos adversos e sem benefício comprovado para sua condição. A intervenção do psiquiatra, ao explicar a necessidade de retirada da medicação, é um ato de prevenção quaternária, protegendo a paciente de uma iatrogenia potencial.
Enquanto a prevenção primária evita a doença, a secundária diagnostica e trata precocemente, e a terciária reabilita, a quaternária foca em proteger o paciente de intervenções médicas excessivas, desnecessárias ou potencialmente prejudiciais, ou seja, da iatrogenia.
O objetivo principal é identificar e proteger indivíduos de intervenções médicas que não lhes trarão benefício real, mas sim riscos ou danos, como exames desnecessários, diagnósticos excessivos ou tratamentos inadequados, promovendo um cuidado mais centrado no paciente.
A paciente, sem diagnóstico de diabetes e com IMC normal, estava usando metformina por conta própria para prevenir uma doença que ela não tinha, caracterizando um uso indevido de medicação e supermedicalização. A ação do psiquiatra de retirar a medicação é um ato de prevenção quaternária.
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