AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Em um programa de residência de Medicina de Família e Comunidade, Dr. Gabriel, 28 anos, branco, residente de primeiro ano, atende Dona Efigênia, 85 anos, negra, viúva, aposentada com baixa renda e residente em um lar de idosos. Dona Efigênia tem demência moderada, diabetes, insuficiência renal crônica e úlceras de pressão. A família insiste em medidas agressivas para cada doença, seguindo diretrizes individuais, apesar do prognóstico reservado e do sofrimento de Dona Efigênia. No contexto da multimorbidade, qual é a principal orientação que Dr. Gabriel deve considerar para o cuidado de Dona Efigênia, buscando a abordagem centrada no paciente e a prevenção quaternária?
Multimorbidade + Idoso frágil → Priorizar qualidade de vida e prevenção quaternária.
Em idosos com múltiplas doenças e prognóstico reservado, o foco deve ser a prevenção de danos iatrogênicos e o alinhamento do plano terapêutico aos valores e conforto da paciente.
O cuidado de pacientes idosos com multimorbidade desafia o modelo biomédico tradicional baseado em diretrizes de doenças únicas. A aplicação rígida de protocolos para diabetes ou insuficiência renal em uma paciente com demência avançada e úlceras de pressão pode levar à sobremedicalização e sofrimento desnecessário. A Prevenção Quaternária surge como um imperativo ético para evitar a iatrogenia. A Abordagem Centrada na Pessoa permite que o médico de família construa um plano de cuidados que respeite a biografia da paciente, priorizando o alívio de sintomas, a manutenção da dignidade e a qualidade de vida, em vez de focar exclusivamente em desfechos biológicos de sobrevida a qualquer custo.
É a detecção de indivíduos em risco de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias (sobremedicalização), visando protegê-los de novas invasões médicas e sugerindo alternativas eticamente aceitáveis que priorizem a autonomia e o bem-estar.
Deve-se priorizar o 'Patient-Centered Care', onde os objetivos terapêuticos são pactuados com o paciente ou família, focando na funcionalidade e conforto em vez de apenas metas bioquímicas rígidas que podem aumentar efeitos colaterais.
Em pacientes com demência moderada a avançada, a família atua como substituta na tomada de decisão. O médico deve orientar sobre o prognóstico real e os riscos de medidas agressivas que não trazem benefício clínico, buscando o melhor interesse da paciente.
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