UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Em reunião de equipe, foi solicitada uma visita domiciliar pelo ACS para um paciente idoso com 78 anos de idade, devido às dificuldades de locomoção e ausência de meios de transporte próprio. Durante a visita, o médico de família conheceu o paciente e a filha. Ela informou que o pai não consegue caminhar longas distâncias e que faz uso das seguintes medicações: hidroclorotiazida 25 mg/dia, losartana 50 mg 12 em 12 horas, anlodipino 5 mg de 12 em 12 horas, enalapril 20 mg de 12 em 12 horas, clonidina O, 150 mg de 12 em 12 horas, metformina 850 mg 3 comprimidos/ dia, insulina NPH 22UI pela manhã e 22 UI a noite, sinvastatina 20 mg à noite. Também foi relatado que há três meses o paciente iniciou tristeza, insônia e esquecimento das coisas, sendo prescrito Diazepam 5mg e amitriptilina 25mg. A paciente faz uso frequente de diclofenaco 50 mg para dores no joelho e de flunarizina para tonturas que acomete principalmente pela manhã. Ao exame físico, constatou-se que a paciente estava em bom estado geral, corada, hidratada, FC 82bpm, FR 18 irmp, SpO 95%, PA 140/80 mmHg com ausência de alterações na ausculta cardíaca e pulmonar. Foi realizada glicemia capilar com resultado de 66 mg/dl (valores de referência de 60 a 100 mg/dl). Sobre os níveis de prevenção na atenção primária, selecione qual se encontra mais evidente no caso anterior:
Prevenção quaternária = evitar iatrogenia e medicalização excessiva, especialmente em idosos polimedicados.
O caso descreve um idoso com polifarmácia significativa, usando múltiplos anti-hipertensivos, hipoglicemiantes, psicotrópicos e medicamentos para sintomas inespecíficos (diclofenaco para dor, flunarizina para tontura). A prevenção quaternária foca em proteger os pacientes de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas que podem causar danos, como a iatrogenia e a cascata de prescrição, sendo altamente relevante neste cenário de polifarmácia.
A prevenção quaternária é um conceito relativamente recente na saúde, que se concentra em identificar um paciente em risco de medicalização excessiva e protegê-lo de novas intervenções médicas desnecessárias, propondo intervenções eticamente aceitáveis. No caso apresentado, o paciente idoso faz uso de uma extensa lista de medicamentos, caracterizando um quadro de polifarmácia, que é um dos principais alvos da prevenção quaternária. A polifarmácia em idosos é um problema de saúde pública, associada a um maior risco de iatrogenia, interações medicamentosas, efeitos adversos, quedas, hospitalizações e piora da qualidade de vida. A prescrição de múltiplos anti-hipertensivos, hipoglicemiantes, psicotrópicos (diazepam e amitriptilina para tristeza/insônia/esquecimento) e medicamentos para sintomas (diclofenaco para dor, flunarizina para tontura) levanta a suspeita de uma cascata de prescrição e o uso de medicamentos potencialmente inapropriados para a idade. A atuação do médico de família, ao revisar a lista de medicamentos e avaliar a necessidade de cada um, buscando a desprescrição quando possível e o uso racional, é um exemplo claro de prevenção quaternária. O objetivo é minimizar os danos potenciais das intervenções médicas, otimizando a farmacoterapia e melhorando a segurança e o bem-estar do paciente, em vez de adicionar mais medicamentos para tratar efeitos colaterais ou sintomas que podem ser iatrogênicos.
Prevenção quaternária é o conjunto de ações para identificar e proteger o indivíduo da medicalização excessiva e de intervenções médicas desnecessárias ou potencialmente prejudiciais. Em idosos, é crucial devido à alta prevalência de polifarmácia e maior risco de iatrogenia.
A necessidade de prevenção quaternária pode ser identificada em pacientes com polifarmácia, sintomas inespecíficos que podem ser efeitos adversos de medicamentos, prescrições em cascata (um medicamento para tratar efeito adverso de outro) e uso de medicamentos inapropriados para idosos.
A polifarmácia em idosos aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos, quedas, hospitalizações, declínio cognitivo e má adesão ao tratamento, comprometendo a qualidade de vida e a segurança do paciente.
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