UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Você está em atendimento em uma unidade básica de saúde, quando recebe no consultório paciente cadeirante por trauma de acidente de moto há nove anos, lesão em altura de T2, utiliza sonda vesical de demora, refere querer usar antibiótico de forma profilática para evitar ITU (Infecção do Tato Urinário), pois hoje refere grumos na sonda e ausência de febre ou dor, porém você orienta não haver evidências dos benefícios do uso profilático de antibiótico em pacientes com sonda urinaria, orientando o paciente sobre sinais de alarme da ITU. Além do quadro anterior, o paciente também relata que acompanhou uma palestra sobre complicações que pessoas que usam cadeiras de rodas de forma crônica, podem apresentar, sendo uma delas as escaras de pressão, como poderia fazer para evitá-las. Com base no quadro acima, a classificação dos níveis de prevenção citados, respectivamente são:
Não usar ATB profilático para ITU em sonda = Prevenção Quaternária; Prevenção de escaras = Prevenção Terciária.
A orientação contra o uso desnecessário de antibióticos profiláticos para ITU em pacientes com sonda vesical é um exemplo de prevenção quaternária, visando evitar iatrogenias. A prevenção de escaras de pressão em pacientes cadeirantes é prevenção terciária, focada em evitar complicações de uma condição já estabelecida.
Os níveis de prevenção em saúde são conceitos fundamentais para a prática médica e a saúde pública, orientando as ações de promoção, proteção e recuperação da saúde. A questão aborda dois níveis específicos: a prevenção quaternária e a prevenção terciária, ilustrando-os com cenários clínicos relevantes para pacientes com lesão medular e uso de sonda vesical. A prevenção quaternária é um conceito relativamente mais recente e foca em proteger os indivíduos de intervenções médicas excessivas, desnecessárias ou iatrogênicas. No caso do paciente cadeirante com sonda vesical que deseja usar antibiótico profilático para ITU sem evidência de infecção, a orientação de não usar o antibiótico se encaixa perfeitamente na prevenção quaternária. O objetivo é evitar os riscos do uso indiscriminado de antibióticos, como a resistência bacteriana e os efeitos adversos, sem um benefício comprovado. Já a prevenção terciária atua em indivíduos que já possuem uma doença ou condição estabelecida, visando evitar complicações, reduzir a incapacidade e melhorar a qualidade de vida. A preocupação do paciente com as escaras de pressão (lesões por pressão) e a busca por formas de evitá-las é um exemplo clássico de prevenção terciária. O paciente já é cadeirante devido a uma lesão medular (condição estabelecida) e a prevenção das escaras busca evitar uma complicação dessa condição, minimizando o impacto da doença. Compreender esses níveis de prevenção é crucial para uma abordagem holística do paciente, promovendo a saúde de forma eficaz e evitando danos desnecessários.
A prevenção quaternária visa proteger os indivíduos de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias, evitando iatrogenias, medicalização excessiva e as consequências negativas de exames ou tratamentos que não trazem benefício real.
A prevenção de escaras em cadeirantes é terciária porque o paciente já possui uma condição crônica (lesão medular e uso de cadeira de rodas) que o predispõe a essa complicação, e a prevenção visa evitar o agravamento ou o surgimento de novas complicações da doença já estabelecida.
O uso profilático de antibióticos em pacientes com sonda vesical de demora, sem sinais de infecção, não é recomendado devido ao risco de desenvolvimento de resistência bacteriana e de infecções por microrganismos multirresistentes, sem benefício comprovado na prevenção de ITU.
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