UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2019
M.C.M.S, sexo feminino, tem 87 anos, apresenta senilidade, demência leve, hipertensão e diabetes. Ao exame físico, apresenta: PA = 120 x 80 mmHg. Está assintomática, exceto pelos lapsos de memória. Mãe e irmã falecidas por doença cardiovascular e causas externas, respectivamente. Está em uso de losartana (50 mg 1x dia) e metformina (850 mg 1x dia). Glicemia de jejum foi de 110 mg/dl na última aferição. Diante do caso exposto, assinale a alternativa que demonstra a conduta mais adequada:
Prevenção quaternária = evitar intervenções desnecessárias ou iatrogênicas, como rastreio em idosos com baixa expectativa de vida.
A prevenção quaternária visa proteger os pacientes de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias, que podem causar mais danos do que benefícios. No caso de idosos muito frágeis ou com baixa expectativa de vida, o rastreamento de câncer, como a mamografia, pode levar a sobrediagnóstico e tratamentos que não melhoram a qualidade de vida ou sobrevida, mas causam sofrimento.
A prevenção quaternária é um conceito emergente na medicina que visa proteger os pacientes de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas que podem causar danos. Em geriatria, este princípio é particularmente relevante, pois idosos frequentemente apresentam múltiplas comorbidades, fragilidade e uma expectativa de vida reduzida, tornando o balanço entre benefícios e riscos de intervenções preventivas mais complexo. O rastreamento de câncer, como a mamografia, ilustra bem essa questão. As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam a mamografia de rastreio para mulheres de 50 a 69 anos. Acima dessa faixa etária, a decisão deve ser individualizada. Para pacientes muito idosas, como a do caso (87 anos), com senilidade e demência leve, a realização de mamografia de rastreio pode levar a um sobrediagnóstico de cânceres indolentes que não afetariam sua sobrevida ou qualidade de vida. Os potenciais danos incluem ansiedade, biópsias invasivas e tratamentos que podem causar efeitos adversos significativos, sem um benefício real para a paciente. Portanto, a não solicitação de mamografia de rastreio neste cenário representa uma medida de prevenção quaternária, protegendo a paciente de uma intervenção que provavelmente traria mais malefícios do que benefícios. É crucial que os profissionais de saúde avaliem cuidadosamente a expectativa de vida, o estado funcional e as preferências do paciente idoso antes de indicar exames de rastreamento, priorizando sempre a qualidade de vida e evitando a iatrogenia.
Prevenção quaternária é o conjunto de ações para proteger os indivíduos de intervenções médicas excessivas, desnecessárias ou iatrogênicas. Na geriatria, é crucial para evitar o sobrediagnóstico, a polifarmácia e tratamentos agressivos que podem comprometer a qualidade de vida de idosos frágeis ou com baixa expectativa de vida, focando no cuidado centrado no paciente.
O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreio para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. Para mulheres acima de 70 anos, a decisão deve ser individualizada, considerando a expectativa de vida, comorbidades e preferências da paciente, pois os benefícios do rastreamento diminuem e os riscos de sobrediagnóstico e tratamento excessivo aumentam.
Para uma idosa de 87 anos com demência leve e múltiplas comorbidades, a expectativa de vida pode ser limitada. O rastreamento pode levar a um diagnóstico de câncer de mama de crescimento lento que talvez nunca cause sintomas durante sua vida, resultando em ansiedade, biópsias e tratamentos (cirurgia, radioterapia) que podem piorar sua qualidade de vida sem prolongar sua sobrevida, caracterizando uma prevenção quaternária.
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