SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020
Juliano é médico em uma Unidade Básica de Saúde. Atende a Dona Adelaide, a qual veio a consulta para reavaliação do uso de um fármaco prescrito pelo seu cardiologista. Ela toma medicamento para hipertensão arterial sistêmica (HAS) e tem um risco cardiovascular menor que 10%. O cardiologista prescreveu sinvastatina 40mg à noite, pois seu colesterol total estava 158mg/dl e falou para ela que preferia manter esse valor abaixo de 130mg/dl. Desde que começou a tomar o medicamento, Dona Adelaide sente mais dores no corpo do que sentia antes. Depois de avaliá-la, Dr. Juliano decide suspender a sinvastatina e combina um retorno em 6 meses para reavaliar a HAS. Com relação ao atendimento acima, o tipo de prevenção feita pelo Dr. Juliano é:
Suspender sinvastatina desnecessária em baixo risco com efeitos adversos = Prevenção Quaternária.
O Dr. Juliano praticou a prevenção quaternária ao desprescrever a sinvastatina para Dona Adelaide. A paciente tinha baixo risco cardiovascular e um alvo de colesterol excessivamente agressivo, além de apresentar efeitos adversos (dores musculares), indicando sobremedicalização.
O caso da Dona Adelaide ilustra perfeitamente o conceito de prevenção quaternária. Esta modalidade de prevenção visa proteger os pacientes de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas, que podem levar a iatrogenia ou sobremedicalização. No cenário apresentado, a paciente, com baixo risco cardiovascular (<10%), estava recebendo sinvastatina para um alvo de colesterol total de 130mg/dl, que é considerado excessivamente agressivo para seu perfil de risco, e ainda apresentava mialgia como efeito adverso. A decisão do Dr. Juliano de suspender a sinvastatina é um exemplo claro de desprescrição, uma prática fundamental na prevenção quaternária. Ele reconheceu que o tratamento estava causando mais danos (efeitos adversos e sobrecarga medicamentosa) do que benefícios reais, dado o perfil de risco da paciente e a ausência de indicação clara para um alvo tão rigoroso. Este tipo de abordagem é crucial na Atenção Primária à Saúde, onde a longitudinalidade do cuidado permite uma avaliação mais holística e a construção de uma relação de confiança. A prevenção quaternária nos lembra da importância de uma medicina baseada em evidências, mas também centrada no paciente, considerando seus valores, preferências e o real impacto das intervenções em sua qualidade de vida, evitando o "demais" na saúde.
O Dr. Juliano identificou que a paciente estava sendo sobremedicalizada com sinvastatina para um alvo de colesterol excessivamente baixo, considerando seu baixo risco cardiovascular, e apresentava efeitos adversos, protegendo-a de danos desnecessários.
Os riscos incluem efeitos adversos dos medicamentos (como dores musculares com estatinas), custos desnecessários, ansiedade do paciente, e desvio de foco de intervenções mais eficazes e menos invasivas.
A desprescrição deve ser considerada quando o benefício do medicamento é incerto ou superado pelos riscos, quando o paciente apresenta efeitos adversos, quando os objetivos do tratamento mudam ou quando há sobremedicalização.
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