IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022
O termo prevenção quaternária (P4) foi utilizado pela primeira vez em uma conferência da Organização Mundial de Médicos de Família (WONCA), em 1995, por Marc Jamoulle. Após quatro anos, essa definição foi adotada e publicada, no dicionário WONCA, da seguinte forma: “ação feita para identificar uma pessoa ou população em risco de supermedicalização, para protegê-los de uma intervenção médica invasiva e sugerir procedimentos científica e eticamente aceitáveis”. Comumente, utiliza-se o diagrama cartesiano que contrapõe o ponto de vista médico com o ponto de vista do paciente, ou seja, as dicotomias entre a existência ou não de doença e a presença ou não de sintomas desagradáveis (disease versus illness), obtendo-se, assim, quatro quadrantes, como mostra a figura abaixo.O quadrante que representa as situações com maior risco de excessos e problemas advindos de intervenções médicas, ou seja, quando a prevenção quaternária se faz mais importante, é o quadrante
Prevenção Quaternária (P4) = proteger da supermedicalização, mais relevante em 'illness sem disease'.
A prevenção quaternária foca em evitar a supermedicalização e iatrogenia. Ela é mais crucial quando o paciente apresenta sintomas (illness) mas não há uma doença (disease) claramente estabelecida, o que pode levar a investigações e tratamentos desnecessários e potencialmente prejudiciais.
A prevenção quaternária (P4) é um conceito fundamental na medicina contemporânea, especialmente na atenção primária à saúde. Ela se define como a ação de identificar um indivíduo ou população em risco de supermedicalização e protegê-los de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas, que podem causar mais danos do que benefícios. Este conceito surgiu da crescente preocupação com a iatrogenia e o uso inadequado de tecnologias diagnósticas e terapêuticas. O diagrama cartesiano que contrapõe 'disease' (doença do ponto de vista médico) e 'illness' (experiência subjetiva do paciente com a doença ou sintomas) é uma ferramenta útil para entender a P4. O quadrante onde a P4 é mais relevante é aquele em que o paciente apresenta 'illness' (sintomas ou queixas) mas não há 'disease' (doença objetivamente diagnosticável). Nesses casos, há um alto risco de medicalizar problemas que são sociais, psicológicos ou fisiológicos, levando a exames e tratamentos invasivos e sem indicação. Para o residente, compreender a P4 é crucial para desenvolver um raciocínio clínico que valorize a integralidade do paciente, evite a cascata de intervenções desnecessárias e promova uma medicina mais ética e baseada em evidências. A aplicação da P4 envolve uma comunicação eficaz com o paciente, a promoção da autonomia e a busca por soluções que considerem o contexto de vida do indivíduo, em vez de focar apenas na ausência ou presença de uma doença.
A prevenção primária visa evitar o surgimento da doença em indivíduos saudáveis (ex: vacinação). A prevenção quaternária, por sua vez, busca proteger indivíduos ou populações do risco de supermedicalização e iatrogenia, especialmente quando não há doença estabelecida.
É mais aplicada em situações onde o paciente apresenta sintomas ou queixas (illness) que não se enquadram em uma doença específica (disease), ou quando há um risco de medicalização de processos fisiológicos ou problemas sociais.
Marc Jamoulle foi um médico belga que introduziu o termo 'prevenção quaternária' em 1995, definindo-a como a ação de identificar e proteger pessoas do risco de supermedicalização, contribuindo significativamente para a medicina de família.
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