Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Maria Alice é uma senhora de 68 anos, portadora de diabetes e que já faz uso regular de insulina isófana associada a antidiabéticos orais. Recentemente foi diagnosticada também com hipertensão arterial sistêmica, passando a fazer uso de anti-hipertensivos. Foi-lhe prescrita estatina para controle do risco cardiovascular e uma série de suplementos próprios para a sua faixa etária. Em uma consulta com um médico da atenção primária verificou-se que Maria Alice vem tomando mais medicamentos que deveria, mesmo considerando seu quadro de multimorbidade. Alguns sintomas adversos foram observados. Percebe-se, então, a necessidade de se reduzir a quantidade dos medicamentos prescritos, ajustando-se as doses às necessidades reais da paciente. Diante da situação hipotética, a decisão clínica a ser tomada pelo médico, em conjunto com a paciente, deve se basear em que âmbito de prevenção em saúde?
Reduzir polifarmácia e evitar iatrogenia em idosos = Prevenção Quaternária.
A prevenção quaternária foca em proteger os indivíduos de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias, que podem causar mais danos do que benefícios. No caso de Maria Alice, a desprescrição e o ajuste de medicamentos para evitar a polifarmácia e seus efeitos adversos são exemplos clássicos dessa abordagem.
A prevenção quaternária é um conceito relativamente recente na saúde pública, que se tornou cada vez mais relevante com o aumento da complexidade dos sistemas de saúde e o envelhecimento populacional. Ela se concentra em proteger os pacientes de intervenções médicas excessivas, desnecessárias ou prejudiciais, reconhecendo que nem toda intervenção é benéfica e que o excesso de medicalização pode levar à iatrogenia. No contexto da atenção primária, a prevenção quaternária é fundamental, especialmente no manejo de pacientes idosos com multimorbidades e polifarmácia. A revisão da lista de medicamentos, a desprescrição de fármacos que não são mais necessários ou que causam mais riscos do que benefícios, e a promoção de um cuidado centrado no paciente são pilares dessa abordagem. Isso exige uma avaliação cuidadosa do balanço risco-benefício de cada tratamento. A implementação da prevenção quaternária requer uma comunicação eficaz entre médico e paciente, considerando as preferências e valores do indivíduo. Ela contribui para um cuidado mais humano, seguro e eficiente, evitando hospitalizações desnecessárias, reações adversas a medicamentos e a sobrecarga do sistema de saúde, sendo uma competência essencial para residentes e médicos generalistas.
A prevenção quaternária é o conjunto de ações que visam identificar o paciente em risco de iatrogenia por intervenções médicas excessivas e protegê-lo de novas intervenções, propondo intervenções eticamente aceitáveis. Seu objetivo é evitar o dano causado pela própria medicina.
Em idosos, a polifarmácia (uso de múltiplos medicamentos) é um grande risco para iatrogenia, com aumento de efeitos adversos, interações medicamentosas e custos. A prevenção quaternária atua na desprescrição de medicamentos desnecessários, otimização de doses e revisão da lista de fármacos para garantir que o tratamento seja o mais seguro e eficaz possível.
Os outros níveis incluem: Primária (evitar o surgimento da doença, ex: vacinação), Secundária (diagnóstico e tratamento precoce para evitar progressão, ex: rastreamento de câncer), e Terciária (reduzir o impacto da doença já estabelecida, reabilitar e minimizar sequelas, ex: fisioterapia pós-AVC).
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