Rastreamento de IST em Adolescentes: Quando Indicar?

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Um jovem de 17 anos, pardo, classe social baixa, assintomático, comparece ao consultório acompanhado por sua mãe, que insiste na realização de rastreamentos extensos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, hepatites, clamídia, gonorreia e sífilis, alegando que “é melhor prevenir antes que ele comece a vida sexual e pegue alguma coisa”. O jovem nunca teve relações sexuais. De acordo com os campos da prevenção e a abordagem relacional do médico de família, qual a conduta mais apropriada neste cenário?

Alternativas

  1. A) Realizar todos os exames solicitados pela mãe como forma de prevenção secundária, pois a detecção precoce é sempre benéfica.
  2. B) Encaminhar o jovem e a mãe para um infectologista, pois este é o especialista mais indicado para lidar com a prevenção de DSTs.
  3. C) Sugerir que o jovem inicie um programa de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para HIV, dada a preocupação da mãe com a prevenção de ISTs.
  4. D) Explicar à mãe que não há necessidade de exames, pois o jovem nunca teve relações sexuais, e focar apenas em orientações gerais de abstinência sexual.
  5. E) Explorar as preocupações da mãe e do jovem, fornecer educação em saúde sobre prevenção primária de IST, sem indicar exames de rastreamento para quem não teve exposição.

Pérola Clínica

Rastreamento de IST em pacientes sem exposição sexual → Não indicado; focar em prevenção primária.

Resumo-Chave

A prevenção primária (educação e vacinação) deve preceder o rastreamento (prevenção secundária). Em pacientes sem atividade sexual prévia, exames de rastreio são desnecessários e podem gerar estigma ou iatrogenia.

Contexto Educacional

A prática da Medicina de Família e Comunidade prioriza a prevenção primária em indivíduos sem fatores de risco estabelecidos. O rastreamento de ISTs em pacientes que nunca tiveram relações sexuais não possui evidência de benefício e contraria os princípios da prevenção quaternária, que visa proteger o paciente de intervenções excessivas. A conduta padrão ouro envolve a educação em saúde sobre métodos de barreira, consentimento e a atualização vacinal (como HPV e Hepatite B). A abordagem relacional permite fortalecer o vínculo médico-paciente-família sem comprometer a ética clínica com exames desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar o rastreamento de IST em adolescentes?

O rastreamento deve ser iniciado após o início da atividade sexual ou em casos de exposição de risco (como violência sexual), seguindo protocolos específicos de idade, comportamento e prevalência local para patógenos como clamídia e gonorreia.

O que é prevenção quaternária neste contexto?

É a ação de evitar intervenções médicas desnecessárias, como exames de rastreio em pacientes sem risco, que podem causar danos psicológicos, estigma social ou custos desnecessários ao sistema de saúde.

Como abordar a família do adolescente que exige exames?

Deve-se utilizar a abordagem centrada na pessoa, explorando as preocupações e medos da mãe (SIFE), validando seus sentimentos, enquanto se educa tecnicamente sobre a ausência de risco biológico e a importância da educação sexual.

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