Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2020
Paciente masculino, 66 anos, admitido no pronto socorro com quadro agudo de infarto agudo do miocário de parede anterior, após 24 horas do início dos sintomas, tendo permanecido em tratamento conservador por 7 dias e recebido alta após esse período. Cerca de 6 meses após o infarto, procurou atendimento com quadro de insuficiência cardíaca descompensada, classe funcional III. Foi realizado eco-transtorácico que evidenciou a cinesia de toda a parede anterior e fração de ejeção de 25%. Assinale alternativa que contem a estratégia mais eficaz, nesse caso, para a prevenção primária de morte súbita:
FEVE ≤ 35% após IAM e IC CF II/III → CDI para prevenção primária de morte súbita.
Pacientes com insuficiência cardíaca crônica de etiologia isquêmica, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35% e classe funcional II ou III da NYHA, mesmo com tratamento medicamentoso otimizado, têm indicação para implante de cardioversor desfibrilador implantável (CDI) para prevenção primária de morte súbita cardíaca.
A insuficiência cardíaca (IC) pós-infarto agudo do miocárdio (IAM), especialmente com disfunção ventricular esquerda grave, é uma condição de alto risco para morte súbita cardíaca devido a arritmias ventriculares malignas. O paciente descrito apresenta um quadro clássico: IAM de parede anterior, disfunção sistólica grave (FEVE de 25%) e sintomas de IC descompensada em classe funcional III, mesmo após 6 meses do evento inicial. Nesse cenário, a prevenção primária de morte súbita é uma prioridade. As diretrizes atuais de cardiologia recomendam fortemente o implante de um cardioversor desfibrilador implantável (CDI) para pacientes com miocardiopatia isquêmica e FEVE ≤ 35%, em classe funcional II ou III da NYHA, que já estão em terapia medicamentosa otimizada para IC. O CDI é o tratamento mais eficaz para interromper arritmias ventriculares fatais, como a fibrilação ventricular. Embora medicamentos como o carvedilol (um betabloqueador) e a amiodarona (um antiarrítmico) sejam componentes importantes do tratamento da IC e possam reduzir a incidência de arritmias, eles não oferecem a mesma proteção contra a morte súbita que o CDI em pacientes de alto risco com FEVE tão comprometida. O marca-passo atrioventricular (C) seria indicado para bradiarritmias ou para terapia de ressincronização cardíaca (TRC) em casos específicos de dissincronia, mas não é a principal estratégia para prevenção de morte súbita por taquiarritmias ventriculares.
A indicação de CDI para prevenção primária de morte súbita geralmente ocorre em pacientes com miocardiopatia isquêmica ou não isquêmica, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) ≤ 35%, em classe funcional II ou III da NYHA, e que já estão em tratamento medicamentoso otimizado por pelo menos 3 meses.
O CDI monitora continuamente o ritmo cardíaco e, ao detectar arritmias ventriculares potencialmente fatais (taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular), ele entrega choques elétricos de alta energia para reverter a arritmia e restaurar o ritmo cardíaco normal, prevenindo a morte súbita.
A amiodarona é um antiarrítmico que pode ser usado para controlar arritmias ventriculares sintomáticas ou recorrentes. No entanto, em pacientes com FEVE muito baixa e alto risco de morte súbita, o CDI é superior à amiodarona isoladamente para a prevenção primária de eventos fatais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo