SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021
Dona Francisca, 58 anos, do lar, está se sentindo bem, mas precisa renovar a receita de algumas medicações em uso. A médica de família e comunidade da unidade do bairro iniciou os atendimentos no município há pouco tempo, e ainda não conhece dona Francisca. Dona Francisca traz em sua mão a receita antiga das medicações que faz uso e entrega a médica; no papel estão prescritos: metformina, losartana, ácido acetilsalicílico (AAS) e sinvastatina. Como não conhece o histórico da paciente e por não haver registros médicos no prontuário por mais de dois anos, tempo em que a unidade ficou sem atendimentos médicos, a médica opta por fazer questionamentos na anamnese com relação à história de doença cardiovascular estabelecida. A paciente nega história de evento cardiovascular anterior, como Acidente Vascular Cerebral ou Infarto. Mas menciona que o médico anterior passou estatina para melhorar as taxas do colesterol e AAS para “afinar” o sangue. A médica então decide realizar um perfil lipídico dentre outros exames (Adaptado de Gusso, G; Lopes, J.M.C.; Dias, L.C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. Capítulo 157, pág. 4011).Sobre essa situação, assinale a alternativa CORRETA:
Paciente diabético → rastreamento dislipidemia ao diagnóstico, revisões anuais, e AAS/estatina para prevenção primária de DCV, se indicado.
A prescrição de AAS e estatina para um paciente sem história de evento cardiovascular é considerada prevenção primária. Em pacientes diabéticos, o rastreamento de dislipidemia deve ser iniciado no momento do diagnóstico e repetido anualmente, devido ao alto risco cardiovascular inerente ao diabetes.
A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morbimortalidade em pacientes com Diabetes Mellitus (DM). O DM é considerado um fator de risco cardiovascular equivalente, o que significa que pacientes diabéticos têm um risco de DCV similar ao de indivíduos que já sofreram um evento cardiovascular. A prevenção primária de DCV em diabéticos envolve uma abordagem multifacetada, incluindo controle glicêmico, controle da pressão arterial, manejo da dislipidemia e, em alguns casos, o uso de agentes antiplaquetários como o AAS. A prescrição de estatinas para controle do colesterol e AAS para "afinar o sangue" em um paciente sem evento prévio é um exemplo de prevenção primária. O rastreamento de dislipidemia em pacientes diabéticos deve ser iniciado a partir do diagnóstico de diabetes, independentemente da idade, e revisado anualmente. As estatinas são a base do tratamento da dislipidemia em diabéticos, e o AAS pode ser considerado em casos selecionados de alto risco, sempre avaliando o balanço risco-benefício, especialmente o risco de sangramento.
O AAS é indicado para prevenção primária em pacientes com alto risco cardiovascular, geralmente aqueles com risco de eventos em 10 anos > 10%, sem contraindicações e com baixo risco de sangramento. Em diabéticos, a indicação é individualizada.
Estatinas são fundamentais para a prevenção primária em diabéticos, pois reduzem significativamente o risco de eventos cardiovasculares, independentemente dos níveis de LDL-C, devido ao perfil de alto risco inerente ao diabetes.
Em pacientes diabéticos, o rastreamento de dislipidemia deve ser iniciado no momento do diagnóstico de diabetes, independentemente da idade, e repetido anualmente ou conforme a necessidade clínica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo