AAS em Prevenção Primária: Quando Retirar em Risco Intermediário

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Você é médico(a) de família e comunidade em uma Unidade de Saúde da Família e seu primeiro paciente do dia é um homem. Ele vem sem queixas para um consulta de rotina agendada previamente. Ele tem 59 anos, é hipertenso controlado e nunca teve eventos cardiovasculares. Faz uso de losartana 50 mg/dia e ácido acetilsalicílico (AAS) 100 mg/dia. É ex-tabagista, parou há 16 anos. Apresenta exame físico normal. Você como médico(a) de família e comunidade calculou o risco para eventos cardiovasculares em 10 anos e o resultado foi de 9,4% (risco intermediário). Neste contexto, qual a melhor conduta em relação ao uso do AAS?

Alternativas

  1. A) Retirar, pois o paciente não apresenta alto risco cardiovascular.
  2. B) Retirar, pois o uso de AAS profilático é apenas para prevenção secundária.
  3. C) Manter, pois todo homem hipertenso acima de 50 anos deve fazer uso.
  4. D) Manter, pois todo homem acima de 50 anos deve fazer uso.

Pérola Clínica

AAS profilático em prevenção primária é desencorajado para risco cardiovascular intermediário, devido ao risco de sangramento.

Resumo-Chave

O uso de AAS em prevenção primária cardiovascular tem sido reavaliado. Para pacientes com risco cardiovascular intermediário (9,4% em 10 anos, como no caso), o benefício de prevenir eventos isquêmicos não supera o risco de sangramentos maiores, especialmente gastrointestinais e intracranianos.

Contexto Educacional

A prevenção cardiovascular é um pilar fundamental da Medicina de Família e Comunidade, visando reduzir a morbimortalidade por doenças cardiovasculares. O uso do ácido acetilsalicílico (AAS) como agente antiplaquetário tem um papel estabelecido na prevenção secundária (em pacientes que já tiveram um evento cardiovascular), mas seu papel na prevenção primária (em pacientes sem histórico de eventos) tem sido amplamente debatido e reavaliado nas últimas décadas. As diretrizes mais recentes de cardiologia e prevenção cardiovascular, como as do American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), desaconselham o uso rotineiro de AAS em prevenção primária para a maioria dos pacientes. Isso se deve ao fato de que, em muitos casos, o benefício na redução de eventos isquêmicos não supera o risco aumentado de sangramentos maiores, como hemorragias gastrointestinais e intracranianas. Para pacientes com risco cardiovascular intermediário (como o do enunciado, 9,4% em 10 anos), a balança risco-benefício do AAS em prevenção primária tende a pender para o lado dos riscos. A conduta correta é retirar o AAS e focar em outras estratégias de prevenção primária, como controle rigoroso da pressão arterial, dislipidemia, diabetes, cessação do tabagismo e promoção de um estilo de vida saudável. A decisão de manter o AAS em prevenção primária é restrita a um grupo muito seleto de pacientes com risco cardiovascular muito alto e baixo risco de sangramento.

Perguntas Frequentes

Quando o AAS é indicado para prevenção primária cardiovascular?

Atualmente, o AAS é raramente indicado para prevenção primária cardiovascular. As diretrizes mais recentes recomendam seu uso apenas para pacientes selecionados com risco cardiovascular muito alto e baixo risco de sangramento, onde o benefício supera claramente os riscos.

Qual o risco de sangramento associado ao uso de AAS profilático?

O uso profilático de AAS, mesmo em baixas doses, aumenta o risco de sangramentos, principalmente gastrointestinais (úlceras, hemorragias) e, menos frequentemente, intracranianos. Esse risco é um fator limitante para sua indicação em prevenção primária.

Como o risco cardiovascular é avaliado para decidir sobre o AAS?

O risco cardiovascular é avaliado por meio de escores como o de Framingham ou o ASCVD Risk Estimator, que consideram idade, sexo, pressão arterial, colesterol, tabagismo e diabetes. Um risco intermediário geralmente não justifica o uso de AAS em prevenção primária devido ao balanço risco-benefício desfavorável.

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