Profilaxia HIV: Cotrimoxazol e Isoniazida na Prevenção Primária

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 30 anos de idade foi diagnosticada com infecção pelo HIV-1. Negou contato com pessoas com tuberculose. Não  apresentava nenhum sintoma respiratório ou neurológico. Ao exame físico, estava emagrecida, apresentava candidíase oral e  disfagia intensa. Não tinha realizado contagem de linfócitos T-CD4 e o hemograma mostrava 750 (10%) linfócitos totais por mL. A radiografia de tórax foi normal. O infectologista introduziu cotrimoxazol, isoniazida e terapia antirretroviral. Considerando as informações disponíveis, a prescrição de cotrimoxazol e isoniazida, são exemplos dos seguintes níveis de prevenção, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Primária e primária.
  2. B) Primária e secundária.
  3. C) Secundária e secundária.
  4. D) Secundária e primária.
  5. E) Terciária e primária.

Pérola Clínica

Profilaxia primária = evitar primeira ocorrência da doença. Cotrimoxazol e Isoniazida em HIV+ são primárias.

Resumo-Chave

A profilaxia primária visa prevenir a ocorrência inicial de uma doença. No caso de HIV, o cotrimoxazol previne a primeira infecção por Pneumocystis jirovecii e a isoniazida previne a primeira manifestação de tuberculose ativa em pacientes com infecção latente.

Contexto Educacional

Os níveis de prevenção em saúde são conceitos fundamentais na prática médica, dividindo-se em primária, secundária e terciária. A prevenção primária visa evitar a ocorrência de uma doença ou agravo, agindo antes que o problema se instale. Exemplos incluem vacinação e profilaxias medicamentosas para indivíduos de risco. A prevenção secundária busca detectar e tratar precocemente uma doença já existente para limitar sua progressão ou complicações, como programas de rastreamento. A prevenção terciária foca na reabilitação e minimização das sequelas de uma doença estabelecida. No contexto da infecção pelo HIV, a profilaxia de infecções oportunistas é um pilar do manejo. O cotrimoxazol é amplamente utilizado como profilaxia primária para a pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP) e toxoplasmose cerebral, especialmente em pacientes com imunossupressão significativa (geralmente CD4 < 200 células/mm³ ou história de doença definidora de AIDS). Sua administração previne a primeira ocorrência dessas infecções. Da mesma forma, a isoniazida é empregada como profilaxia primária para tuberculose ativa em indivíduos com HIV que possuem infecção latente por Mycobacterium tuberculosis. Ao tratar a infecção latente, a isoniazida impede a progressão para a doença ativa, caracterizando uma ação de prevenção primária. A introdução da terapia antirretroviral (TARV) é crucial para restaurar a imunidade e, eventualmente, permitir a descontinuação de algumas profilaxias.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação do cotrimoxazol em pacientes com HIV?

O cotrimoxazol é indicado como profilaxia primária para Pneumocystis jirovecii pneumonia (PCP) e toxoplasmose em pacientes com HIV, especialmente aqueles com contagem de CD4 abaixo de 200 células/mm³ ou com eventos definidores de AIDS.

Quando a isoniazida é utilizada em pacientes com HIV?

A isoniazida é usada como profilaxia primária para tuberculose ativa em pacientes com HIV que apresentam infecção latente por Mycobacterium tuberculosis (teste cutâneo positivo ou IGRA positivo), sem evidência de doença ativa.

Como diferenciar prevenção primária de secundária em HIV?

Prevenção primária em HIV é a profilaxia de infecções oportunistas antes que elas ocorram (ex: cotrimoxazol para PCP). Prevenção secundária é o tratamento de uma infecção oportunista já diagnosticada ou a profilaxia de sua recorrência.

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