Pré-Eclâmpsia: Prevenção com AAS e Cálcio em Gestantes de Risco

SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2021

Enunciado

As síndromes hipertensivas intercorrentes na gestação, em especial a pré-eclâmpsia (PE), acarretam risco real e impacto significativo nos indicadores relacionados à saúde materna e infantil. Além de constituir fator causal relativo às mortes maternas e perinatais, implica em limitações definitivas na saúde materna e graves problemas decorrentes da prematuridade iatrogênica associada, sendo a PE a principal causa de prematuridade eletiva no Brasil.(FEBRASGO, 2017).Sobre prevenção de pré-eclampsia, marque a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Não há como reduzir as chances de ocorrência no diagnóstico de pré-eclampsia. Portanto, fazem-se necessárias medidas para garantir o diagnóstico precoce e manejo adequado dessa morbidade.
  2. B) A prevenção de pré eclampsia se faz com infusão de sulfato de magnésio em baixa dose (0,6 g/h) após dose de ataque padrão de 4 g IV.
  3. C) O ácido acetilsalicílico (AAS) e cálcio devem ser oferecidos de forma rotineira a todas as gestantes, ainda que tenham níveis pressóricos normais.
  4. D) A formação de espécies reativas de oxigênio estão implicados entre os fundamentos fisiopatológicos da pré-eclampsia, e por isso a Vitamina C que tem ação antioxidante, é recomendada para prevenir pré-eclampsia.
  5. E) O uso do ácido acetilsalicílico (60 a 150 mg por dia) e do cálcio (1,5 a 2,0g por dia) são intervenções realmente benéficas em grupos de risco para o desenvolvimento da pré-eclampsia.

Pérola Clínica

AAS (60-150mg/dia) e cálcio (1,5-2,0g/dia) previnem pré-eclâmpsia em gestantes de ALTO RISCO.

Resumo-Chave

A prevenção da pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco é realizada com ácido acetilsalicílico em baixa dose (iniciado antes de 16 semanas) e suplementação de cálcio, que atuam modulando a resposta inflamatória e melhorando a função endotelial, respectivamente.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia (PE) é uma síndrome hipertensiva gestacional que se manifesta após 20 semanas de gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria, ou hipertensão com disfunção de órgão-alvo. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, sendo crucial para residentes entenderem sua prevenção e manejo. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal, levando à isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial sistêmica. A identificação de gestantes de alto risco é o primeiro passo para a prevenção. Fatores de risco incluem história prévia de PE, hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal crônica, doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, síndrome do anticorpo antifosfolipídeo), gestação múltipla e obesidade. Para essas pacientes, a prevenção farmacológica é recomendada. As intervenções mais eficazes para a prevenção da pré-eclâmpsia em grupos de risco são o ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (60 a 150 mg/dia) e a suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia). O AAS deve ser iniciado idealmente entre 12 e 16 semanas de gestação, pois atua na modulação da resposta inflamatória e na melhora da perfusão placentária. A suplementação de cálcio é particularmente benéfica em populações com baixa ingestão dietética de cálcio. Outras intervenções, como o uso de antioxidantes (vitamina C e E), não demonstraram eficácia na prevenção da PE. O sulfato de magnésio é usado para prevenir e tratar convulsões na eclâmpsia, não para prevenir a PE.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia?

Fatores de risco incluem pré-eclâmpsia em gestação anterior, doença renal crônica, doenças autoimunes (lúpus, SAF), diabetes mellitus pré-gestacional, hipertensão crônica, gestação múltipla e obesidade.

Quando o ácido acetilsalicílico deve ser iniciado para prevenção da pré-eclâmpsia?

O AAS deve ser iniciado preferencialmente antes das 16 semanas de gestação (idealmente entre 12 e 16 semanas) e mantido até o parto, para maximizar sua eficácia na modulação da placentação.

Qual o papel do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é utilizado para prevenção e tratamento de convulsões (eclâmpsia) em gestantes com pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia estabelecida, e não como medida preventiva primária da pré-eclâmpsia em si.

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