Pré-Eclâmpsia: Prevenção com AAS e Rastreamento

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

Gestante primigesta, foi a consulta de pré-natal para mostrar exame de ultrassonografia do primeiro trimestre que evidenciou índice de pulsatilidade das artérias uterinas acima do percentil 95. O risco calculado para pré eclampsia pelo algoritmo da Fetal Medicine Foundation foi 1:100. Assinale conduta mais adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) Iniciar nifedipina 40 mg.
  2. B) Reavaliar com 20 semanas.
  3. C) Realizar Monitorização da Pressão Arterial.
  4. D) Iniciar acido acetil salicílico 150 mg a noite.

Pérola Clínica

Risco alto de pré-eclâmpsia (IP uterina ↑, FMF ↑) → AAS 150 mg à noite para profilaxia.

Resumo-Chave

O rastreamento de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre, utilizando o doppler das artérias uterinas (IP > P95) e o algoritmo da FMF, identificou um alto risco (1:100). Nesses casos, a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em dose de 100-150 mg/dia, iniciada antes de 16 semanas, é a conduta mais eficaz para reduzir a incidência e gravidade da doença.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. O rastreamento precoce no primeiro trimestre, utilizando uma combinação de fatores de risco maternos, pressão arterial média, PAPP-A, PlGF e doppler das artérias uterinas (com cálculo de risco pela Fetal Medicine Foundation - FMF), permite identificar gestantes de alto risco. A identificação de um índice de pulsatilidade (IP) das artérias uterinas acima do percentil 95, juntamente com um risco calculado elevado (ex: 1:100), indica uma falha na segunda onda de invasão trofoblástica, predispondo à má-adaptação placentária e ao desenvolvimento da pré-eclâmpsia. A intervenção mais eficaz para prevenir a pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco é a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (100-150 mg/dia), iniciada idealmente antes das 16 semanas de gestação e mantida até o termo. O AAS atua melhorando a placentação e reduzindo o desequilíbrio entre tromboxano e prostaciclina. A nifedipina é um anti-hipertensivo, não profilático para pré-eclâmpsia. A monitorização da PA é parte do pré-natal, mas não a conduta primária para alto risco. Reavaliar com 20 semanas sem intervenção é perder a janela de oportunidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar uma gestante de alto risco para pré-eclâmpsia no 1º trimestre?

Critérios incluem histórico de pré-eclâmpsia, doenças crônicas (HAS, DM, autoimunes), gestação múltipla, e achados no rastreamento como doppler de artérias uterinas alterado (IP > P95) e risco calculado pelo algoritmo da FMF.

Qual a dose e o momento ideal para iniciar o ácido acetilsalicílico na prevenção da pré-eclâmpsia?

A dose recomendada é de 100-150 mg/dia, preferencialmente à noite, e deve ser iniciada antes das 16 semanas de gestação para maior eficácia.

Como o ácido acetilsalicílico atua na prevenção da pré-eclâmpsia?

O AAS, em baixas doses, atua inibindo a ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2, um potente vasoconstritor e agregante plaquetário, e favorecendo a vasodilatação e perfusão placentária.

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