UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Mulher, 37a, G1P1C0A0, procura orientação para nova gestação. Antecedentes Pessoais: pré-eclâmpsia grave há três anos com 31 semanas de gestação, ficando normotensa no puerpério com suspensão da medicação. Houve normalização da proteinúria dentro de três meses pós-parto. A investigação de trombofilias foi negativa. A CONDUTA É PRESCREVER:
História de pré-eclâmpsia grave → AAS + Carbonato de Cálcio a partir de 12 semanas para prevenção.
Em pacientes com histórico de pré-eclâmpsia grave, a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose e suplementação de cálcio é recomendada a partir da 12ª semana de gestação para reduzir o risco de recorrência. A ausência de trombofilias não altera essa conduta padrão.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. Mulheres com histórico de pré-eclâmpsia grave em gestação anterior possuem um risco significativamente aumentado de recorrência, tornando a profilaxia um pilar fundamental no manejo pré-natal. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal, levando à disfunção endotelial sistêmica. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (75-150 mg/dia) atua na modulação da cascata do ácido araquidônico, favorecendo a produção de prostaciclinas e inibindo o tromboxano A2, melhorando a perfusão placentária. A suplementação de cálcio (1-2 g/dia) também demonstrou reduzir o risco, especialmente em populações com baixa ingestão dietética. A conduta padrão para gestantes com histórico de pré-eclâmpsia grave é iniciar o AAS e o carbonato de cálcio a partir da 12ª semana de gestação e manter até o parto. É crucial identificar precocemente as pacientes de risco e implementar as medidas profiláticas adequadas para otimizar os resultados maternos e fetais, sendo este um tópico frequente em provas de residência médica.
O AAS em baixa dose é indicado para gestantes com fatores de risco para pré-eclâmpsia, como história prévia de pré-eclâmpsia grave, diabetes, hipertensão crônica, doença renal ou autoimune.
A suplementação de cálcio é recomendada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio e alto risco de pré-eclâmpsia, iniciando preferencialmente antes da 20ª semana de gestação.
A investigação de trombofilias é importante, mas a profilaxia com AAS e cálcio para pré-eclâmpsia grave prévia é padrão, independentemente do resultado, a menos que haja outras indicações para heparina.
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