Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Secundigesta, 36 anos de idade, encontra-se gestante na 32ª semana de gestação resultante de fertilização in vitro, comparece a consulta de pré-natal com cefaleia, edema de membros inferiores e pressão arterial sistêmica 130×85 mmHg. Refere parto anterior, cesárea há 11 anos, com peso do recém-nascido 2.430 gramas, com 40 semanas de gestação. Refere que sua mãe teve pré-eclampsia em sua gestação. Dos marcadores clínicos abaixo, o que caracteriza ISOLADAMENTE essa paciente de alto risco para indicação de prevenção de pré-eclâmpsia é:
Reprodução assistida = Alto risco isolado para pré-eclâmpsia → Indicação de AAS 100-150mg.
A reprodução assistida (FIV) é considerada um fator de risco independente significativo para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia, justificando profilaxia com aspirina em baixas doses.
A pré-eclâmpsia resulta de uma placentação anômala com falha na remodelação das artérias espiraladas, levando a um estado de hipóxia placentária e disfunção endotelial sistêmica. A identificação precoce de gestantes em risco é fundamental para a implementação de medidas preventivas que comprovadamente reduzem a incidência de pré-eclâmpsia pré-termo. A reprodução assistida, especificamente a fertilização in vitro, está associada a alterações epigenéticas e imunológicas que aumentam o risco de distúrbios hipertensivos. Além do AAS, a suplementação de cálcio é recomendada em populações com baixa ingestão dietética deste mineral, atuando de forma sinérgica na redução do risco vascular gestacional.
Os critérios de alto risco que isoladamente indicam profilaxia com AAS incluem: história prévia de pré-eclâmpsia (especialmente com desfecho adverso), gestação múltipla, hipertensão crônica, diabetes mellitus tipo 1 ou 2, doença renal crônica e doenças autoimunes como LES ou SAF. Recentemente, diretrizes como as da FIGO e NICE incluíram a reprodução assistida como um fator de risco independente relevante.
A aspirina em baixa dose (100 a 150 mg/dia) deve ser iniciada idealmente antes da 16ª semana de gestação (preferencialmente entre a 12ª e 16ª) e mantida até a 36ª semana. O uso noturno parece ser mais eficaz na redução da pressão arterial e na prevenção da insuficiência placentária.
Não isoladamente. Segundo a maioria dos protocolos (ACOG/USPSTF), idade ≥ 35 anos, nuliparidade, obesidade (IMC > 30), histórico familiar de pré-eclâmpsia e intervalo interpartal > 10 anos são considerados fatores de risco moderados. A profilaxia é indicada se a paciente apresentar dois ou mais desses fatores moderados.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo