Prevenção do Parto Prematuro: Progesterona e Colo Curto

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a prematuridade é a maior causa de morbidade e mortalidade neonatal no mundo e a principal causa de morte de crianças abaixo de 5 anos de idade. Em relação à predição de riscos e a abordagem do paciente na profilaxia da prematuridade, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O sludge é, à ecografia, um material hiperecogênico fixo, situado na região de fundo uterino.
  2. B) O sinal do dedo de luva (afunilamento), à ecografia, deve ser incluído na medida do comprimento do colo uterino.
  3. C) Progesterona micronizada via vaginal não é indicada em mulheres com fator isolado de história prévia de trabalho de parto prematuro.
  4. D) Progesterona via vaginal é indicada em mulheres que apresentam colo curto.
  5. E) A cerclagem cervical geralmente é recomendada em pacientes com colos uterinos < 20 mm.

Pérola Clínica

Colo curto (< 20-25mm) no 2º trimestre → Progesterona vaginal é a intervenção de escolha.

Resumo-Chave

A identificação de um colo uterino curto (geralmente < 20 mm) em gestantes sem sintomas é uma indicação clássica para o uso de progesterona micronizada vaginal, visando reduzir as taxas de parto prematuro e morbidade neonatal.

Contexto Educacional

A prematuridade continua sendo o maior desafio da obstetrícia moderna. O rastreamento universal do comprimento cervical por via transvaginal entre 18 e 24 semanas tornou-se uma estratégia custo-efetiva para identificar mulheres em risco. A medida deve ser realizada de forma técnica: bexiga vazia, sem pressão excessiva no transdutor e identificando claramente o orifício interno, o canal cervical e o orifício externo. O uso da progesterona vaginal é uma das poucas intervenções com evidência robusta (Nível 1A) para reduzir o parto prematuro em mulheres com colo curto. É fundamental que o médico saiba diferenciar os achados ultrassonográficos: o afunilamento (funneling) é um sinal de alerta, mas apenas a porção funcional (fechada) do colo deve ser medida para fins de conduta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação da progesterona na prevenção da prematuridade?

A progesterona micronizada vaginal está indicada em duas situações principais: 1) Gestantes com antecedente de parto prematuro espontâneo anterior (profilaxia secundária), independentemente da medida do colo; e 2) Gestantes com colo curto identificado na ultrassonografia transvaginal de rotina (geralmente entre 18 e 24 semanas), mesmo sem antecedentes (profilaxia primária). O ponto de corte para definir 'colo curto' varia entre protocolos, mas a maioria das diretrizes utiliza < 20 mm ou < 25 mm. A progesterona atua mantendo a quiescência uterina e reduzindo a resposta inflamatória cervical, sendo eficaz na redução do risco de parto antes de 34 semanas.

O que é o 'sludge' amniótico e qual sua importância?

O 'sludge' amniótico é a presença de material particulado hiperecogênico flutuando no líquido amniótico, próximo ao orifício interno do colo uterino, visualizado à ultrassonografia. Ao contrário do que algumas alternativas sugerem, ele não é fixo nem se localiza no fundo uterino. Sua presença está fortemente associada a um processo inflamatório ou infeccioso intra-amniótico subclínico e é um fator de risco independente para o parto prematuro espontâneo e para a falha do tratamento com progesterona ou cerclagem. É um sinal de alerta para maior vigilância clínica.

Quando a cerclagem cervical deve ser considerada?

A cerclagem cervical é um procedimento cirúrgico indicado em situações específicas: 1) Cerclagem baseada na história (insuficiência istmocervical clássica); 2) Cerclagem baseada no ultrassom (gestantes com parto prematuro anterior que apresentam encurtamento cervical < 25 mm antes de 24 semanas); e 3) Cerclagem de emergência (colo dilatado e membranas visíveis no orifício externo). Diferente da progesterona, que é usada para colos curtos em pacientes de baixo risco, a cerclagem em pacientes sem história prévia e apenas com colo curto isolado (entre 10-25 mm) não demonstrou benefício superior à progesterona em gestações únicas.

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