UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente de 26 anos, G3P2, veio à consulta na 18a semana de gestação. Em seu histórico, constavam partos com nascimentos nas idades gestacionais de 34 semanas e 30 semanas, nos quais apresentara contrações e ruptura de membranas. Negou uso de medicamentos. A urocultura realizada evidenciou Streptococcus do grupo βeta (30.000 colônias/ml). Ao exame físico, o colo era grosso, fechado e posterior, e os batimentos cardiofetais, de 132 bpm. Qual a conduta mais adequada?
Gestante com história de parto prematuro + urocultura positiva para GBS (bacteriúria assintomática) = Progesterona vaginal + tratar GBS (se bacteriúria significativa).
A paciente apresenta alto risco para parto prematuro devido ao histórico. A progesterona vaginal é indicada para prevenção de recorrência de parto prematuro em gestantes de alto risco. Embora a urocultura tenha isolado Streptococcus do grupo Beta, o valor de 30.000 colônias/ml é limítrofe para bacteriúria assintomática, sendo prudente repetir a urocultura para confirmar a necessidade de antibioticoterapia específica para GBS.
A prevenção do parto prematuro é uma das maiores prioridades na obstetrícia, especialmente em gestantes com histórico de partos anteriores. A progesterona vaginal tem demonstrado eficácia na redução do risco de recorrência de parto prematuro em pacientes com colo curto ou histórico de prematuridade. A presença de Streptococcus do grupo Beta (GBS) na urocultura durante a gestação é um achado importante. Embora a contagem de 30.000 colônias/ml seja limítrofe para bacteriúria assintomática significativa (geralmente ≥ 100.000 UFC/mL), qualquer isolamento de GBS na urina é considerado um fator de risco para doença neonatal precoce por GBS e indica a necessidade de profilaxia antibiótica intraparto. Neste cenário, a conduta mais adequada combina a prevenção do parto prematuro com progesterona e a reavaliação da bacteriúria por GBS. A repetição da urocultura é prudente para confirmar a necessidade de tratamento antibiótico específico para a bacteriúria durante a gestação, enquanto a profilaxia intraparto para GBS já estaria indicada pelo isolamento na urina, independentemente da contagem.
A progesterona vaginal é indicada devido ao histórico de partos prematuros da paciente (34 e 30 semanas), sendo uma medida eficaz para a prevenção da recorrência de parto prematuro em gestantes de alto risco.
A presença de GBS na urocultura, mesmo em contagens limítrofes, é importante. Embora 30.000 colônias/ml possa ser considerada bacteriúria assintomática, a repetição da urocultura é crucial para confirmar se há uma infecção significativa que necessite de tratamento antibiótico específico para GBS.
A bacteriúria assintomática por GBS é geralmente tratada quando a contagem de colônias é ≥ 100.000 UFC/mL. No entanto, qualquer isolamento de GBS na urina, independentemente da contagem, indica colonização significativa e requer profilaxia intraparto para prevenir a doença neonatal precoce por GBS.
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