PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024
Paciente, sexo feminino, 75 anos de idade, acamada por sequela de acidente vascular cerebral há dois anos, é trazida por familiares à Unidade de Saúde por apresentar ferida em região sacral há seis meses. A filha relata que a paciente não deambula e permanece em decúbito dorsal a maior parte do tempo. A paciente recebe visitas semanais da Equipe de Saúde da Família, da área, que orienta os cuidados e a troca do curativo da ferida sacral. Ao exame físico, regular estado geral, descorada +1/+4, afebril, FC: 62bpm, PA: 108x68mmHg; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; ferida em região sacral medindo cerca de 10cm, com exposição de musculatura glútea, presença de tecido necrótico sem secreção purulenta ou odor fétido.Indique a orientação mais importante que a família deve receber da Equipe de Saúde Família para evitar a progressão da ferida sacral:
Prevenção de lesão por pressão → Mudança de decúbito a cada 2h + Alívio de proeminências ósseas.
A pressão extrínseca prolongada sobre proeminências ósseas causa isquemia tecidual; a redistribuição frequente da carga é a intervenção mais eficaz para evitar a progressão.
As lesões por pressão (LPP) resultam da compressão prolongada da pele e tecidos subjacentes entre uma proeminência óssea e uma superfície externa. A fisiopatologia envolve a oclusão capilar, levando a hipóxia tecidual, acúmulo de metabólitos tóxicos e eventual morte celular. Fatores de risco intrínsecos como idade avançada, imobilidade, desnutrição e incontinência exacerbam o risco. A abordagem multidisciplinar é crucial, focando na redistribuição da pressão, controle da umidade (manejo de incontinência), otimização do status nutricional e tratamento local da ferida, incluindo a remoção de tecidos desvitalizados que servem como meio de cultura para patógenos.
A recomendação padrão é a realização da mudança de decúbito a cada 2 horas para pacientes acamados em leitos convencionais. Em cadeiras de rodas, o alívio deve ser feito a cada 15 a 30 minutos. O uso de superfícies de suporte, como colchões de ar ou viscoelásticos, pode auxiliar na distribuição da carga, mas não substitui a necessidade de reposicionamento manual frequente.
O suporte nutricional é fundamental para o reparo tecidual. Pacientes com lesões por pressão frequentemente apresentam estados catabólicos e hipoalbuminemia. O aporte adequado de proteínas, calorias, zinco e vitamina C é essencial para a síntese de colágeno. No entanto, isoladamente, a nutrição não impede a progressão da ferida se a pressão mecânica sobre o local persistir.
Lesões que apresentam necrose (esfacelo ou escara) que impede a visualização da profundidade total do tecido são classificadas como 'Não Estadiáveis'. Uma vez que o tecido necrótico é removido, a lesão pode ser classificada como Estágio 3 ou 4. No caso de exposição de musculatura glútea, a lesão já é caracterizada como Estágio 4, indicando perda total da espessura tecidual.
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