UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Pode-se afirmar que a medida que, com maior efetividade, diminui a taxa de infecção da ferida operatória é:
Degermação com antisséptico no pré-operatório imediato = medida mais eficaz para reduzir carga bacteriana e ISC.
A redução da microbiota residente e transitória da pele do paciente antes da incisão é o fator crítico para prevenir a contaminação da ferida operatória.
A Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das principais causas de morbidade pós-operatória. A patogênese geralmente envolve a contaminação da ferida por microrganismos da própria pele do paciente no momento da incisão. Por isso, a degermação e antissepsia rigorosas no pré-operatório imediato são as intervenções com maior nível de evidência para redução de desfechos negativos. Além do preparo da pele, outras medidas fundamentais incluem a antibioticoprofilaxia administrada no tempo correto (geralmente 60 minutos antes da incisão), a manutenção da normotermia e o controle glicêmico perioperatório. O foco na técnica asséptica e no preparo adequado do paciente substitui práticas obsoletas, como o uso de propés ou a tricotomia precoce, que não possuem impacto comprovado na redução de infecções.
A recomendação atual é não remover pelos, a menos que interfiram na incisão. Se necessária, a remoção deve ser feita imediatamente antes da cirurgia, utilizando tricotomizadores elétricos. O uso de lâminas de barbear é proscrito, pois causa microabrasões cutâneas que aumentam significativamente a taxa de infecção do sítio cirúrgico.
Estudos mostram que soluções alcoólicas (como clorexidina alcoólica) são superiores às soluções aquosas para a antissepsia da pele, devido ao seu efeito de início rápido e ação residual prolongada. A escolha entre clorexidina e povidona-iodo (PVPI) depende de alergias do paciente, mas a clorexidina tem demonstrado maior redução de colônias bacterianas em diversos ensaios clínicos.
Não há evidências de que campos adesivos plásticos (incisivos) reduzam as taxas de infecção de sítio cirúrgico. Na verdade, alguns estudos sugerem que eles podem aumentar o risco se houver descolamento e acúmulo de umidade e bactérias sob o plástico durante o procedimento.
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