Infecção de Sítio Cirúrgico: Prevenção e Antibioticoprofilaxia

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015

Enunciado

A Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) apresenta importante impacto nos resultados clínicos e custos pós-operatórios. Em relação a esse tema, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Por definição, a infecção de sítio cirúrgico é aquela que se desenvolve dentro de trinta dias após uma cirurgia ou dentro de um ano se um implante foi utilizado no ato cirúrgico e a infecção parece estar relacionada à operação.
  2. B) A ferida operatória é classificada como suja ou infectada quando há presença de inflamação purulenta (ex.: apendicite aguda complicada com peritonite difusa), perfuração pré-operatória do trato respiratório, gastrointestinal ou genitourinário e trauma penetrante há mais de 4 horas.
  3. C) A administração do antibioticoprofilático deve preceder a incisão na pele, sendo que a primeira dose deve ser administrada cerca de 60 minutos antes do início da cirurgia, a fim de que alcance altos níveis teciduais e tenha boa eficácia em minimizar o risco de infecção de sítio cirúrgico no pós-operatório.
  4. D) Recomenda-se que o tabagismo seja interrompido cerca de 4 a 6 semanas antes da realização de uma cirurgia eletiva, pois essa conduta é capaz de minimizar o risco de ISC. 
  5. E) Em função do risco de adicional de ISC associada ao emprego de telas sintéticas na correção das hérnias inguinais, justifica-se a manutenção da antibioticoprofilaxia com cefalosporina de primeira geração (ex.: cefazolina) por 96 horas após a cirurgia.

Pérola Clínica

Antibioticoprofilaxia cirúrgica = dose única pré-incisão, não prolongar (>24h) em cirurgias limpas/limpas-contaminadas.

Resumo-Chave

A manutenção prolongada da antibioticoprofilaxia cirúrgica, como por 96 horas após herniorrafia com tela, não é recomendada. A profilaxia deve ser de curta duração (dose única ou até 24h), administrada antes da incisão, para evitar resistência bacteriana e efeitos adversos sem benefício adicional na prevenção de ISC.

Contexto Educacional

A Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das complicações pós-operatórias mais comuns e onerosas, impactando significativamente a morbidade, mortalidade e os custos hospitalares. A prevenção da ISC é multifatorial, envolvendo desde o preparo pré-operatório do paciente até as técnicas cirúrgicas e cuidados pós-operatórios. A classificação da ferida operatória (limpa, limpa-contaminada, contaminada, suja/infectada) é fundamental para guiar a necessidade e o tipo de antibioticoprofilaxia. A antibioticoprofilaxia cirúrgica é uma medida chave na prevenção da ISC, mas sua aplicação deve seguir rigorosas diretrizes. O momento da administração é crítico: a primeira dose deve ser dada antes da incisão para garantir níveis teciduais terapêuticos durante o período de maior risco de contaminação. A duração da profilaxia é outro ponto crucial; para a maioria das cirurgias, uma dose única é suficiente, e a extensão por mais de 24 horas é raramente justificada e pode levar a desfechos negativos, como o aumento da resistência antimicrobiana. Fatores de risco modificáveis, como o tabagismo, devem ser abordados no pré-operatório. A interrupção do tabagismo semanas antes da cirurgia pode reduzir significativamente o risco de ISC e outras complicações. A alternativa incorreta da questão destaca um erro comum na prática, que é a manutenção prolongada da antibioticoprofilaxia, especialmente em cirurgias de hérnia com tela, onde a evidência suporta uma profilaxia de curta duração.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC)?

ISC é uma infecção que se desenvolve na incisão cirúrgica ou em órgãos/espaços adjacentes dentro de 30 dias da cirurgia, ou até um ano se houver implante e a infecção estiver relacionada à operação.

Qual o momento ideal para administrar a antibioticoprofilaxia cirúrgica?

A primeira dose deve ser administrada cerca de 60 minutos antes da incisão na pele, para que o antibiótico atinja níveis teciduais adequados no momento da cirurgia, cobrindo o período de maior risco de contaminação.

Por que a antibioticoprofilaxia prolongada não é recomendada para a maioria das cirurgias?

A profilaxia prolongada aumenta o risco de resistência bacteriana, efeitos adversos e custos, sem demonstrar benefício adicional na prevenção de ISC para a maioria dos procedimentos, especialmente cirurgias limpas ou limpas-contaminadas.

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