UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 70 anos de idade, portador de hipertensão arterial controlada, foi submetido a colectomia direita por vídeolaparoscopia. No pós- operatório imediato, permaneceu de sonda nasogástrica por 1 dia. Ao iniciar a dieta no dia seguinte, apresentou íleo paralítico que se prolongou por 1 semana. As medidas recomendadas para reduzir a incidência do íleo paralítico no pós-operatório são
Prevenção íleo paralítico pós-op → evitar opioides + iniciar alimentação precoce.
O íleo paralítico pós-operatório é uma disfunção comum da motilidade intestinal. Sua incidência pode ser reduzida significativamente com a minimização do uso de opioides, que deprimem a motilidade gastrointestinal, e com a introdução precoce da alimentação oral, que estimula o peristaltismo e a recuperação da função intestinal.
O íleo paralítico pós-operatório é uma disfunção transitória da motilidade intestinal que ocorre após cirurgias abdominais, caracterizada pela ausência ou diminuição do peristaltismo. Embora seja uma complicação comum, especialmente após cirurgias extensas como colectomias, sua incidência e duração podem ser significativamente reduzidas com estratégias de recuperação aprimorada (ERAS - Enhanced Recovery After Surgery). A fisiopatologia envolve uma complexa interação de fatores neurais, humorais e inflamatórios que inibem a atividade muscular lisa intestinal. Entre as medidas mais eficazes para reduzir a incidência do íleo paralítico, destacam-se a minimização do uso de opioides e a introdução precoce da alimentação oral. Os opioides, embora essenciais para o controle da dor, são conhecidos por deprimir a motilidade gastrointestinal, prolongando o íleo. Portanto, a preferência por analgesia multimodal, incluindo bloqueios regionais e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), é crucial. A alimentação precoce, por sua vez, estimula o peristaltismo e a liberação de hormônios gastrointestinais, acelerando o retorno da função intestinal. Outras medidas importantes incluem a mobilização precoce do paciente, a hidratação adequada (evitando hiper-hidratação que pode levar a edema intestinal) e a remoção precoce de sondas nasogástricas, que não previnem o íleo e podem causar desconforto. Para residentes, o domínio dessas estratégias é fundamental para otimizar a recuperação pós-operatória, reduzir o tempo de internação e melhorar a experiência do paciente, alinhando-se aos princípios da medicina baseada em evidências e dos protocolos ERAS.
Fatores que contribuem para o íleo paralítico incluem a manipulação intestinal durante a cirurgia, a resposta inflamatória sistêmica, o uso de opioides para analgesia, desequilíbrios eletrolíticos e a imobilização prolongada do paciente no pós-operatório.
A alimentação precoce estimula o peristaltismo e a liberação de hormônios gastrointestinais, promovendo a recuperação da função intestinal. Ela ajuda a 'acordar' o intestino, reduzindo o tempo de íleo e as complicações associadas.
Os opioides atuam nos receptores μ-opioides no trato gastrointestinal, diminuindo a motilidade intestinal, aumentando o tônus dos esfíncteres e inibindo as secreções, o que retarda o trânsito intestinal e contribui para o íleo paralítico e constipação.
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