HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Um homem de 61 anos, com IMC: 29 kg/m², que nunca fumou nem tem doença pulmonar, foi submetido à operação de Hartmann, por abdômen agudo obstrutivo por neoplasia de sigmoide. Não tinha ascite nem carcinomatose. A operação foi feita respeitando-se os princípios cirúrgicos oncológicos. No sexto pós-operatório, notou-se saída de grande quantidade de líquido serossanguinolento (aspecto de “água de carne”) pela ferida operatória. Está afebril, já com boa aceitação de dieta leve. A colostomia funciona bem. Melhor alternativa para prevenção da complicação apresentada por este paciente:
Hérnia incisional pós-cirurgia abdominal → Uso de tela profilática reduz risco, especialmente em pacientes de risco.
A saída de líquido serossanguinolento pela ferida operatória no pós-operatório pode indicar um seroma ou deiscência de sutura, precursores de hérnia incisional. O uso de tela profilática no fechamento da parede abdominal em pacientes com fatores de risco, como IMC elevado e cirurgia de Hartmann, é a melhor alternativa para prevenir a hérnia incisional.
A hérnia incisional é uma complicação comum e debilitante da cirurgia abdominal, com taxas de incidência que podem variar amplamente, mas que são particularmente elevadas em pacientes com fatores de risco. A sua prevenção é um objetivo crucial na prática cirúrgica, pois o tratamento de uma hérnia estabelecida é mais complexo e associado a maiores morbidades. Pacientes com IMC elevado, submetidos a cirurgias de emergência ou com infecção de sítio cirúrgico, como o caso da questão, apresentam um risco aumentado. A cirurgia de Hartmann, por exemplo, é frequentemente realizada em situações de emergência, o que por si só já é um fator de risco para complicações da ferida e hérnias. A fisiopatologia da hérnia incisional envolve uma falha na cicatrização e na integridade da fáscia abdominal. A saída de líquido serossanguinolento, como descrito na questão, pode ser um sinal de seroma ou deiscência parcial da ferida, que enfraquece a parede abdominal e predispõe à formação da hérnia. O diagnóstico é clínico, mas a prevenção é a melhor abordagem. O tratamento e, mais importante, a prevenção, têm evoluído. O uso de tela profilática, inserida no momento do fechamento da parede abdominal em pacientes de alto risco, tem demonstrado ser a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência de hérnias incisionais. Esta abordagem é superior a outras medidas como drenagem da cavidade ou hemostasia cuidadosa, que, embora importantes para outras complicações, não abordam diretamente a falha fascial. Para o residente, entender os fatores de risco e as estratégias preventivas, como a tela profilática, é fundamental para otimizar os resultados pós-operatórios e a qualidade de vida dos pacientes.
Os fatores de risco incluem obesidade (IMC > 25 kg/m²), idade avançada, tabagismo, desnutrição, doenças que afetam a cicatrização (diabetes, uso de corticoides), infecção do sítio cirúrgico, cirurgias de emergência e múltiplas laparotomias.
A tela profilática é indicada em pacientes com alto risco de desenvolver hérnia incisional, como aqueles com obesidade (IMC > 29 kg/m²), aneurisma de aorta abdominal, ou que serão submetidos a cirurgias de alto risco, como as de Hartmann ou ostomias.
A deiscência de ferida operatória, mesmo que parcial ou superficial (como a saída de líquido serossanguinolento), é um forte preditor de falha do fechamento da parede abdominal e aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de hérnia incisional a longo prazo.
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