INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
A febre amarela apresentou, no Brasil, dois picos epidêmicos em 2016/2017 e em 2017/2018, afetando estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Antes disso, ainda em 2014, a doença, que era restrita à região amazônica, vinha reemergindo na região extra- amazônica, com casos na região Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O aumento dos casos da doença está relacionado com a expansão da fronteira agrícola, que provoca o desmatamento, a redução das áreas de floresta e o aumento da urbanização, o que contribui ainda mais para a degradação desses ambientes e produz risco de desastres ambientais.Diante desse cenário, um médico de família e comunidade de um município próximo a áreas de desmatamento, visando a prevenção contra possível enfrentamento da febre amarela em seu território, deve
Febre amarela: isolar casos suspeitos em áreas com Aedes aegypti para evitar transmissão urbana.
Em áreas com presença de Aedes aegypti, o isolamento de casos suspeitos de febre amarela durante o período de viremia é crucial para prevenir a transmissão do vírus do ciclo silvestre para o ciclo urbano, onde o mosquito pode atuar como vetor.
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus e transmitida por mosquitos. No Brasil, a doença ocorre em dois ciclos epidemiológicos: silvestre (transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, com primatas como hospedeiros) e urbano (transmitida pelo Aedes aegypti, com humanos como hospedeiros). A reemergência da febre amarela em áreas extra-amazônicas, impulsionada por fatores ambientais como desmatamento e urbanização, representa um desafio significativo para a saúde pública. A prevenção da febre amarela baseia-se principalmente na vacinação da população em áreas de risco e na vigilância epidemiológica. A vacina é altamente eficaz e segura, e uma dose única confere proteção duradoura. Em cenários de risco, a antecipação da vacinação para crianças a partir dos 6 meses pode ser recomendada. A notificação de casos suspeitos é obrigatória e imediata, não semanal, para permitir uma resposta rápida das autoridades de saúde. Em um cenário de risco de reintrodução da febre amarela urbana, a medida mais crítica para um médico de família e comunidade é orientar o isolamento de casos suspeitos durante o período de viremia (geralmente nos primeiros 3-6 dias da doença) em locais onde o Aedes aegypti está presente. Isso impede que o mosquito vetor pique o paciente infectado e transmita o vírus para outras pessoas, quebrando a cadeia de transmissão urbana. Além disso, o controle do vetor e a educação da comunidade sobre os riscos e medidas preventivas são essenciais.
O isolamento de casos suspeitos ou confirmados de febre amarela em áreas com Aedes aegypti é vital para impedir que o mosquito pique o indivíduo virêmico e, assim, inicie um ciclo de transmissão urbana da doença.
Atualmente, uma dose única da vacina contra febre amarela é considerada suficiente para conferir proteção duradoura e vitalícia, não sendo mais recomendado o reforço a cada 10 anos para a maioria das pessoas. A vacinação pode ser antecipada para crianças a partir de 6 meses em áreas de risco.
A expansão agrícola e o desmatamento aproximam as populações humanas das áreas de circulação do vírus em primatas (ciclo silvestre), aumentando o risco de infecção humana e, consequentemente, a possibilidade de reintrodução do vírus em áreas urbanas com Aedes aegypti.
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