CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Qual das medidas abaixo é, até o momento, reconhecida como a mais eficaz na prevenção de infecção em cirurgia de segmento anterior?
Iodopovidona 5% no fundo de saco → medida mais eficaz na prevenção de endoftalmite pós-operatória.
A aplicação de povidona-iodo (PVPI) a 5% no fundo de saco conjuntival por pelo menos 3 minutos é a única medida com evidência nível I para redução de endoftalmite em cirurgias intraoculares.
A endoftalmite pós-operatória é uma das complicações mais temidas da cirurgia de catarata e outros procedimentos de segmento anterior. A fisiopatologia da infecção geralmente envolve a translocação da flora bacteriana normal do paciente (pálpebras e conjuntiva) para dentro da câmara anterior durante o ato cirúrgico. A superioridade da iodopovidona reside no seu amplo espectro e rapidez de ação. Outras medidas citadas historicamente, como a tricotomia dos cílios, caíram em desuso por não demonstrarem redução de infecção e, em alguns casos, aumentarem a colonização bacteriana devido a microtraumas na pele. A injeção subconjuntival de antibióticos também perdeu espaço para a via intracamerária, mas nenhuma dessas técnicas anula a necessidade da antissepsia química rigorosa com PVPI 5%.
A iodopovidona a 5% é amplamente reconhecida como a medida profilática mais importante na cirurgia intraocular. Estudos multicêntricos demonstraram que sua aplicação no fundo de saco conjuntival reduz significativamente a carga bacteriana da superfície ocular, que é a principal fonte de patógenos causadores de endoftalmite (geralmente Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus aureus). Diferente dos antibióticos tópicos, aos quais as bactérias podem desenvolver resistência, a povidona-iodo possui um mecanismo de ação oxidativo inespecífico que elimina rapidamente uma vasta gama de microrganismos, incluindo bactérias gram-positivas, gram-negativas, fungos e vírus, sem induzir resistência.
Para máxima eficácia, a iodopovidona deve ser utilizada na concentração de 5% para a mucosa conjuntival e fundo de saco, enquanto a concentração de 10% é reservada para a antissepsia da pele periorbitária e pálpebras. O protocolo recomendado envolve a instilação de pelo menos 2 a 3 gotas no fundo de saco conjuntival, garantindo que a solução entre em contato com toda a superfície ocular e as margens palpebrais. É crucial respeitar um tempo de contato mínimo de 3 a 5 minutos antes de iniciar a incisão cirúrgica. Após esse período, a solução pode ser irrigada com soro fisiológico ou deixada no local, dependendo da preferência do cirurgião, embora a permanência não prejudique a córnea em exposições curtas.
Não. Até o momento, não existem evidências robustas de que o uso de antibióticos tópicos nos dias que antecedem a cirurgia (profilaxia pré-operatória) seja superior ou substitua a eficácia da iodopovidona 5% no momento da cirurgia. Na verdade, o uso indiscriminado de antibióticos pré-operatórios pode selecionar cepas resistentes na microbiota ocular. Embora a injeção de antibióticos intracamerais (como a cefuroxima ou moxifloxacino) ao final da cirurgia tenha ganhado forte evidência de suporte (estudo ESCRS), a antissepsia com PVPI 5% continua sendo a medida pré-incisional obrigatória e mais eficaz isoladamente para prevenir a entrada de bactérias no olho.
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