SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Uma mulher de 76 anos, com histórico de hipertensão e depressão controlada, vem apresentando declínio das capacidades de lembrar eventos recentes. Exames de triagem mostram uma perda auditiva leve. A família nota que, desde que começou a ter dificuldades auditivas, sua memória e interação social têm diminuído. Qual das seguintes medidas pode ser mais benéfica para a prevenção do declínio cognitivo?
Perda auditiva é o principal fator de risco modificável para demência → Corrigir com aparelho auditivo.
A correção da perda auditiva reduz a carga cognitiva e o isolamento social, sendo uma das intervenções com maior evidência para prevenir o declínio cognitivo em idosos.
O envelhecimento populacional traz o desafio de diferenciar o declínio cognitivo senescente da demência patológica. A identificação de fatores de risco modificáveis transformou a abordagem geriátrica, movendo o foco de tratamentos farmacológicos sintomáticos para a prevenção primária e secundária. A intervenção na perda auditiva é custo-efetiva e apresenta resultados significativos na manutenção da reserva cognitiva. Estudos recentes demonstram que o uso de aparelhos auditivos em idosos com perda auditiva pode reduzir a taxa de declínio cognitivo em quase 50% ao longo de três anos, reforçando a necessidade de triagem auditiva sistemática em consultas de rotina para idosos.
A perda auditiva contribui para o declínio cognitivo através de três mecanismos principais: sobrecarga cognitiva (o cérebro gasta mais recursos para decifrar sons, subtraindo energia de outras funções como a memória), atrofia cerebral estrutural (especialmente no lobo temporal) e isolamento social (a dificuldade de comunicação leva o idoso a se afastar de interações, reduzindo o estímulo cerebral).
Segundo a Lancet Commission (2024), existem 14 fatores de risco modificáveis que podem prevenir ou atrasar até 45% dos casos de demência. Entre eles, a perda auditiva na meia-idade é o fator individual de maior impacto. Outros fatores incluem baixa escolaridade, hipertensão, obesidade, tabagismo, depressão, inatividade física, diabetes, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano e poluição do ar.
Até o momento, não há evidências clínicas robustas que sustentem o uso de suplementos como Vitamina E, Ácido Fólico, Ômega-3 ou Ginkgo Biloba para a prevenção de demência em indivíduos sem deficiências nutricionais comprovadas. As diretrizes focam em controle de comorbidades vasculares, atividade física regular, dieta mediterrânea e, crucialmente, correção de déficits sensoriais (audição e visão).
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