PrEP e Inserção de DIU: Manejo de ISTs na Atenção Primária

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 28 anos procura uma médica de família e comunidade para ser orientada quanto à prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e de gestação indesejada. A paciente relata consumo de álcool durante as festas de carnaval e manifesta desejo de fazer uso de dispositivo intrauterino (DIU). Apesar de não ter tido relações sexuais nos últimos 30 dias, a paciente refere atividade sexual com múltiplos parceiros com status sorológico desconhecido nos últimos 6 meses, além de uso inconsistente de preservativo. Afirma ter feito uso de profilaxia pós-exposição (PEP) duas vezes nesse período. Nega uso de outras substâncias psicoativas. Refere data da última menstruação há 7 dias. Realizou coleta de citologia oncótica há 6 meses, sem alterações.\n\nA respeito do caso apresentado, responda os itens a seguir. \n\na) Que medidas de prevenção de IST podem ser oferecidas à paciente pela médica de família? (valor: 4,0 pontos)\n\nb) Caso a paciente deseje fazer uso de profilaxia pré-exposição (PrEP), qual deve ser a conduta antes de se iniciar a PrEP? (valor: 3,0 pontos) \n\nc) Considerando-se as práticas sexuais da paciente nos 6 meses anteriores à consulta, que condições a médica deve investigar antes da inserção do DIU? (valor: 3,0 pontos)

Alternativas

Pérola Clínica

Antes de PrEP ou DIU em alto risco → Rastrear HIV/ISTs e excluir gravidez/infecção ativa.

Resumo-Chave

O manejo de pacientes com alta vulnerabilidade sexual exige prevenção combinada, rastreio de infecções assintomáticas e garantia de métodos contraceptivos seguros.

Contexto Educacional

O atendimento integral à saúde da mulher na Atenção Primária envolve a interseção entre planejamento reprodutivo e prevenção de ISTs. Pacientes com histórico de uso repetido de PEP (Profilaxia Pós-Exposição) são candidatas preferenciais à PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), que consiste no uso diário de tenofovir + entricitabina para reduzir o risco de infecção pelo HIV. Quanto à contracepção de longa duração (LARC), o DIU é uma excelente opção, mas em populações de alta vulnerabilidade, o rastreio de infecções do trato genital inferior é mandatório. A presença de cervicite purulenta é uma contraindicação temporária (Categoria 4 da OMS) até o tratamento completo. A abordagem deve ser acolhedora e baseada em evidências, garantindo a autonomia da paciente sobre seu corpo e saúde sexual.

Perguntas Frequentes

Quais medidas de prevenção de IST podem ser oferecidas?

Deve-se oferecer a Prevenção Combinada: uso de preservativos (internos/externos), vacinação (Hepatite B e HPV), testagem regular para HIV, sífilis e hepatites, além da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) devido ao histórico de múltiplos parceiros e uso repetido de PEP. A redução de danos em relação ao álcool também é pertinente para evitar comportamentos de risco desprotegidos.

Qual a conduta obrigatória antes de iniciar a PrEP?

É mandatório realizar a testagem para HIV (teste rápido ou laboratorial) para confirmar a soronegatividade, pois o uso de PrEP em pacientes já infectados pode induzir resistência viral. Além disso, deve-se avaliar a função renal (creatinina/clearance), rastrear outras ISTs (sífilis, clamídia, gonorreia) e verificar o status vacinal para Hepatite B.

O que investigar antes da inserção do DIU nesta paciente?

Devido ao comportamento de risco (múltiplos parceiros e uso inconsistente de preservativo), é fundamental realizar o rastreio de cervicites (Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae) antes da inserção, para mitigar o risco de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) ascendente. Também deve-se confirmar a ausência de gravidez atual, embora a paciente esteja no 7º dia do ciclo.

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