Prevenção de Aspiração Pulmonar em Cirurgias Esofágicas

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Cirurgias esofágicas, seja por câncer ou doenças esofágicas benignas, apresentam um maior risco de aspiração pulmonar devido a refluxo esofágico durante a indução anestésica. Existem algumas medidas que podem ser tomadas no preparo pré-operatório desse paciente e na indução anestésica com o objetivo de prevenir essa aspiração. Dentre as alternativas abaixo, qual contém essas medidas?

Alternativas

  1. A) Jejum pré-operatório de 14 horas.
  2. B) Intubação guiada por broncoscopia.
  3. C) Evitar relaxante muscular na indução anestésica.
  4. D) Intubação orotraqueal em sequência rápida, drenagem nasogástrica e cabeceira elevada durante intubação.
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores.

Pérola Clínica

Cirurgia esofágica + risco aspiração → Intubação sequência rápida, drenagem SNG, cabeceira elevada.

Resumo-Chave

Pacientes submetidos a cirurgias esofágicas têm alto risco de aspiração pulmonar devido ao refluxo. Medidas preventivas essenciais na indução anestésica incluem a intubação orotraqueal em sequência rápida para proteger a via aérea, a drenagem prévia do conteúdo gástrico/esofágico via sonda nasogástrica e a elevação da cabeceira para reduzir o refluxo.

Contexto Educacional

Pacientes submetidos a cirurgias esofágicas, seja por neoplasias, acalasia, doença do refluxo gastroesofágico grave ou outras patologias, apresentam um risco significativamente elevado de aspiração pulmonar durante a indução anestésica. Esse risco é atribuído à estase de alimentos e líquidos no esôfago dilatado ou disfuncional, à incompetência do esfíncter esofágico inferior e à manipulação cirúrgica que pode exacerbar o refluxo. A aspiração pulmonar é uma complicação grave, podendo levar a pneumonite química, pneumonia e Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA). Para mitigar esse risco, diversas medidas preventivas devem ser implementadas no preparo pré-operatório e, crucialmente, durante a indução anestésica. A intubação orotraqueal em sequência rápida é a técnica de escolha, caracterizada pela administração de um hipnótico e um relaxante muscular de ação ultrarrápida, seguida de intubação imediata sem ventilação com máscara, para proteger a via aérea o mais rapidamente possível. A manobra de Sellick (pressão cricoide) pode ser aplicada para ocluir o esôfago, embora sua eficácia seja debatida. Além da sequência rápida, a drenagem do conteúdo esofágico e gástrico através de uma sonda nasogástrica ou orogástrica antes da indução é fundamental para reduzir o volume de material disponível para aspiração. O posicionamento do paciente com a cabeceira elevada (posição de Trendelenburg reversa) durante a indução também auxilia na redução do refluxo por gravidade. A combinação dessas estratégias é essencial para garantir a segurança do paciente e minimizar as chances de uma complicação tão devastadora.

Perguntas Frequentes

Por que cirurgias esofágicas aumentam o risco de aspiração pulmonar?

Doenças esofágicas (câncer, acalasia, refluxo grave) podem causar estase de alimentos e líquidos no esôfago, além de disfunção do esfíncter esofágico inferior, facilitando o refluxo e a aspiração durante a indução anestésica.

O que é a intubação orotraqueal em sequência rápida e por que é usada?

É uma técnica de indução anestésica que visa intubar o paciente o mais rápido possível após a administração de hipnóticos e relaxantes musculares, minimizando o tempo de via aérea desprotegida e o risco de aspiração.

Qual o papel da drenagem nasogástrica e da elevação da cabeceira?

A drenagem nasogástrica esvazia o conteúdo gástrico e esofágico, reduzindo o volume a ser aspirado. A elevação da cabeceira (posição de Trendelenburg reversa) utiliza a gravidade para diminuir o refluxo gastroesofágico durante a indução.

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