INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
A prevalência da hanseníase registrada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no primeiro trimestre de 2012 foi de 181.941 casos, com 219.075 casos novos diagnosticados em 105 países em 2011, dos quais 94% foram notificados em 18 países, incluindo o Brasil. No Brasil, em 2011, o coeficiente de incidência da doença foi de 17,65 casos para cada 100.000 habitantes. Levando em conta o mecanismo de transmissão da hanseníase e a variação na sua notificação, podemos afirmar que:
Hanseníase = Doença negligenciada com alta infectividade, baixa patogenicidade e forte vínculo socioeconômico.
A hanseníase é uma doença de evolução crônica cujos coeficientes de detecção refletem não apenas a biologia do bacilo, mas principalmente as condições de vida e o acesso aos serviços de saúde.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente com tropismo por pele e nervos periféricos. O Brasil permanece como um dos países com maior carga da doença no mundo, o que exige vigilância epidemiológica constante. A análise dos dados epidemiológicos deve sempre considerar que variações nas taxas podem indicar tanto um aumento real da transmissão quanto uma melhoria na capacidade de detecção dos serviços de saúde. A estratégia global da OMS foca na interrupção da transmissão e no alcance de 'zero lepra', o que inclui o tratamento de contatos e o diagnóstico precoce para evitar as incapacidades físicas permanentes. O entendimento de que a hanseníase é uma doença socialmente determinada é crucial para que o médico atue não apenas na prescrição da poliquimioterapia, mas também na busca ativa de contatos e na promoção de saúde da comunidade.
A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, principalmente através das vias aéreas superiores (secreções nasais e gotículas) de pacientes multibacilares (virchowianos e dimorfos) que não estão em tratamento. O contato deve ser íntimo e prolongado, como ocorre no convívio domiciliar. Vale ressaltar que, logo após o início da poliquimioterapia (PQT), o paciente deixa de ser infectante. O Mycobacterium leprae tem alta infectividade (consegue infectar muitos), mas baixa patogenicidade (poucos dos infectados realmente desenvolvem a doença).
Ela é classificada como negligenciada porque atinge predominantemente populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica e recebe menos atenção e investimento em pesquisa e políticas públicas do que outras doenças. A alta carga da doença em países como o Brasil está diretamente ligada a fatores como moradias precárias (aglomeração domiciliar), baixo nível de escolaridade e dificuldade de acesso ao diagnóstico precoce. O estigma associado à doença também contribui para a subnotificação e para o diagnóstico tardio, muitas vezes já com incapacidades físicas.
O coeficiente de prevalência reflete o número de casos em tratamento (casos ativos) em um determinado momento, sendo usado para monitorar a meta de eliminação da OMS (menos de 1 caso por 10.000 habitantes). Já o coeficiente de incidência (ou taxa de detecção de casos novos) reflete a força da transmissão recente e a eficácia do sistema de saúde em diagnosticar novos doentes. No Brasil, utiliza-se mais o termo 'taxa de detecção' para casos novos, pois a incidência real é difícil de medir em doenças de longo período de incubação.
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