HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2019
O exame laboratorial inicial de uma população fictícia detectou diabetes em 5/1.000 homens entre 30-35 anos e 10/1.000 mulheres, também entre 30-35 anos. A inferência de que mulheres têm risco de diabetes duas vezes mais elevado que homens nessa faixa etária é:
Dados pontuais de "detectou diabetes" = prevalência, não incidência ou risco relativo.
A inferência de risco (incidência) não pode ser feita a partir de dados de prevalência (casos existentes em um ponto no tempo), pois a prevalência reflete tanto a incidência quanto a duração da doença, não o surgimento de novos casos.
Em epidemiologia, a correta interpretação das medidas de frequência de doenças é crucial para entender a dinâmica de saúde de uma população. Incidência e prevalência são conceitos distintos, mas frequentemente confundidos, especialmente em questões de prova. A prevalência é a proporção de casos existentes em um momento, enquanto a incidência é a taxa de novos casos. A questão apresenta dados de prevalência ("detectou diabetes em X/1.000"), ou seja, a proporção de pessoas que já tinham diabetes no momento da detecção. Para inferir risco ou incidência, seria necessário um estudo de coorte, acompanhando indivíduos sem diabetes ao longo do tempo para verificar quantos desenvolveram a doença. A prevalência é influenciada pela incidência e pela duração da doença. Portanto, afirmar que mulheres têm risco duas vezes maior com base apenas em dados de prevalência é incorreto. O risco (incidência) requer a observação de novos casos ao longo do tempo. A compreensão dessas diferenças é fundamental para a análise crítica de estudos e para a formulação de políticas de saúde pública.
Incidência refere-se à taxa de novos casos de uma doença que surgem em uma população em risco durante um período específico, enquanto prevalência é a proporção de indivíduos em uma população que têm a doença em um determinado ponto no tempo ou período.
Dados de prevalência não permitem inferir risco (incidência) porque eles refletem tanto a taxa de novos casos quanto a duração da doença. Uma alta prevalência pode significar alta incidência ou que a doença dura muito tempo, ou ambos.
Estudos de coorte são ideais para medir incidência, pois acompanham indivíduos ao longo do tempo para observar o surgimento de novos casos. Estudos transversais são mais adequados para medir prevalência, pois avaliam a condição de saúde em um único ponto no tempo.
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