Delirium em Idosos: Prevalência e Impacto Clínico

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Pacientes com declínio agudo nos níveis de consciência e cognição comumente são vistos em enfermarias e prontos-socorros. Deve-se considerar também o comprometimento agudo de atenção caracterizado pela dificuldade de sustentação durante a anamnese. A partir dessas informações, assinale a alternativa que apresenta a prevalência dessa patologia em idosos nos pronto-socorro, em pacientes internados em enfermarias de cirurgia geral e em pacientes com queimaduras graves, respectivamente.

Alternativas

  1. A) 5%, 30% e de 5% a 11%
  2. B) 6%, 20% a de 30% e 82%
  3. C) de 15% a 21%, de 10% a 15% e 21%
  4. D) 15%, 5% e de 30 a 51%
  5. E) de 40 a 50%, 10% a de 15% e 50%

Pérola Clínica

Delirium em idosos: alta prevalência em PS (15-21%), cirurgia (10-15%), queimados (21%).

Resumo-Chave

O delirium é uma condição comum e grave em idosos, com prevalência significativa em diversos ambientes hospitalares. Reconhecer sua alta incidência em pronto-socorros, enfermarias cirúrgicas e unidades de queimados é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado, impactando diretamente o prognóstico do paciente.

Contexto Educacional

O delirium, ou síndrome confusional aguda, é uma disfunção cerebral aguda e reversível, caracterizada por uma alteração flutuante da atenção e da consciência. É uma condição de alta prevalência em idosos, especialmente em ambientes hospitalares, e seu reconhecimento é fundamental para a prática médica. A prevalência em idosos no pronto-socorro varia de 15% a 21%, em enfermarias de cirurgia geral de 10% a 15%, e em pacientes com queimaduras graves pode chegar a 21%, refletindo a vulnerabilidade desses grupos a estressores fisiológicos e ambientais. O delirium é um marcador de fragilidade e está associado a desfechos adversos, incluindo maior mortalidade, tempo de internação prolongado, aumento do risco de demência e declínio funcional. Sua fisiopatologia é complexa e multifatorial, envolvendo desequilíbrios neuroquímicos (ex: acetilcolina, dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como os do DSM-5 ou ferramentas como o CAM (Confusion Assessment Method). O manejo do delirium envolve a identificação e tratamento das causas subjacentes (infecções, desidratação, medicamentos), além de medidas de suporte e não farmacológicas para otimizar o ambiente e a cognição do paciente. Para residentes, é essencial estar atento aos sinais de delirium em pacientes idosos, especialmente em contextos de trauma, cirurgia ou doença aguda, a fim de intervir precocemente e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de delirium em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, demência pré-existente, múltiplas comorbidades, polifarmácia, desidratação, infecções, cirurgias (especialmente cardíacas e ortopédicas), dor não controlada, privação de sono e uso de certos medicamentos (ex: anticolinérgicos, benzodiazepínicos).

Como o delirium se manifesta clinicamente?

O delirium é caracterizado por uma alteração aguda e flutuante do nível de consciência e atenção, acompanhada por distúrbios cognitivos (memória, orientação, linguagem) e perceptivos (alucinações). Pode ser hipoativo (letargia), hiperativo (agitação) ou misto.

Qual a importância de reconhecer o delirium precocemente?

O reconhecimento precoce do delirium é vital porque ele está associado a piores desfechos, como aumento da mortalidade, tempo de internação prolongado, maior risco de institucionalização e declínio funcional e cognitivo a longo prazo. O diagnóstico permite identificar e tratar as causas subjacentes.

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