UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
“Doutor João está em dúvidas em relação à prevalência de hipertensão arterial sistêmica no seu município. De um total de 10 mil pessoas cadastradas no seu município para o ano de 2018, foram identificados e cadastrados 2 mil casos no total. Ao longo do ano de 2018, foram identificados, em média, 50 casos novos por mês”. A partir dessas informações, a prevalência de hipertensão arterial sistêmica naquele município para o ano de 2018 foi de:
Prevalência = (Total de Casos / População) × 100; reflete o estoque de doentes em um período.
A prevalência engloba todos os casos (novos e antigos) existentes em uma população, sendo calculada pela divisão do total de doentes pela população sob risco.
A prevalência é um indicador de saúde fundamental para o planejamento de políticas públicas, pois estima a necessidade de recursos para o cuidado de condições crônicas. Diferente da incidência, que foca no risco de desenvolver a doença, a prevalência foca na proporção da população que convive com a condição. No caso da HAS, fatores como envelhecimento populacional tendem a elevar esse índice. No exemplo prático, com 2.000 casos totais em uma população de 10.000 pessoas, o cálculo é direto: (2.000 / 10.000) = 0,2 ou 20%. Os casos novos citados (50/mês) servem para calcular a incidência, mas para a prevalência do período, o dado consolidado de casos totais é o que define o numerador.
A prevalência mede o número total de casos (novos e antigos) em uma população em um determinado momento ou período, indicando a 'fatia' da população doente. Já a incidência mede apenas os casos novos que surgem em um período, indicando o risco ou a velocidade com que as pessoas adoecem. Em doenças crônicas como a hipertensão, a prevalência é geralmente muito maior que a incidência devido à longa duração da enfermidade.
A prevalência é diretamente proporcional à incidência e à duração média da doença (P ≈ I x D). Se uma doença tem cura rápida ou leva ao óbito rapidamente, sua prevalência será baixa, mesmo que a incidência seja alta. No caso de doenças crônicas com baixa letalidade e sem cura, como a hipertensão, a prevalência tende a acumular ao longo do tempo, refletindo o estoque de casos na comunidade.
A prevalência é o indicador ideal para o planejamento de recursos, pois informa quantos indivíduos necessitam de tratamento, acompanhamento e medicamentos em um dado momento. Para gestores de saúde, saber a prevalência de hipertensão em um município permite dimensionar a quantidade de consultas em atenção primária, a necessidade de estoque de anti-hipertensivos e a carga de complicações crônicas esperadas no sistema.
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