Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2020
Observe as afirmações abaixo, em relação à PVC (pressão venosa central): I - É um bom marcador de volemia. II - um bom marcador de fluido responsividade. III - É muito importante na fase inicial da sepse. Dentre essas afirmações:
PVC não é bom marcador de volemia nem fluido responsividade, e não é meta na sepse inicial.
A Pressão Venosa Central (PVC) tem sido amplamente questionada como marcador confiável de volemia ou de fluido responsividade. As diretrizes atuais de sepse não recomendam a PVC como meta de ressuscitação volêmica inicial, priorizando outros parâmetros dinâmicos.
A Pressão Venosa Central (PVC) foi, por muito tempo, um pilar na monitorização hemodinâmica de pacientes críticos, especialmente em unidades de terapia intensiva. Tradicionalmente, acreditava-se que a PVC refletia o estado volêmico do paciente e sua capacidade de responder à infusão de fluidos. No entanto, a literatura médica mais recente e as diretrizes de manejo de condições como a sepse têm desafiado e refutado essas crenças. Atualmente, sabe-se que a PVC é um marcador estático e pouco confiável para avaliar a volemia ou predizer a fluido responsividade. Sua medida é influenciada por uma série de fatores, como a pressão intratorácica, a complacência ventricular, o tônus venoso e a função cardíaca direita, tornando-a um indicador impreciso do volume intravascular real ou da resposta a fluidos. Muitos pacientes com PVC "normal" podem estar hipovolêmicos, e outros com PVC elevada podem se beneficiar de mais fluidos. Para residentes, é crucial entender que as diretrizes modernas, como as da Surviving Sepsis Campaign, não mais recomendam a PVC como meta de ressuscitação volêmica inicial na sepse. Em vez disso, o foco está em parâmetros dinâmicos de fluido responsividade (como variação da pressão de pulso, variação do volume sistólico, teste de elevação passiva das pernas) e na avaliação da perfusão tecidual (níveis de lactato, tempo de enchimento capilar, débito urinário). A compreensão dessas mudanças é vital para uma prática clínica atualizada e baseada em evidências.
A PVC é um marcador estático que reflete a pressão de enchimento do ventrículo direito, mas é influenciada por múltiplos fatores além da volemia, como a complacência ventricular, a pressão intratorácica e o tônus venoso. Assim, uma PVC normal não garante normovolemia, e uma PVC elevada não significa necessariamente hipervolemia.
Não, a PVC demonstrou ser um preditor fraco de fluido responsividade. Estudos mostram que pacientes com PVC baixa ou normal podem não responder à infusão de fluidos, enquanto pacientes com PVC elevada podem ser fluido responsivos. Parâmetros dinâmicos, como a variação da pressão de pulso ou do volume sistólico, são mais confiáveis.
As diretrizes atuais para o manejo da sepse e choque séptico, como as da Surviving Sepsis Campaign, não recomendam a PVC como meta de ressuscitação volêmica inicial. Elas priorizam a avaliação da perfusão tecidual (lactato, tempo de enchimento capilar) e o uso de parâmetros dinâmicos para guiar a administração de fluidos.
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