CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010
Em relação à pressão intraocular ao longo do dia, assinale a alternativa correta:
Pacientes com glaucoma ou hipertensão ocular têm maior variabilidade da PIO diária que indivíduos normais.
A PIO flutua fisiologicamente, mas picos e grandes variabilidades são marcadores de risco para progressão glaucomatosa, especialmente em hipertensos oculares.
A pressão intraocular (PIO) é determinada pelo equilíbrio entre a produção de humor aquoso pelo corpo ciliar e sua drenagem através das vias trabecular e uveoescleral. O ritmo circadiano da PIO é influenciado por diversos fatores, incluindo níveis de cortisol, tônus autonômico e posição corporal. Em pacientes glaucomatosos, a resistência ao escoamento no trabeculado exacerba as flutuações naturais. Clinicamente, a variabilidade da PIO é considerada um dos principais fatores de risco para a neuropatia óptica glaucomatosa. O tratamento clínico visa não apenas reduzir a média da PIO, mas também achatar a curva de variação diária. Medicamentos como os análogos de prostaglandinas são preferidos por muitos especialistas justamente por sua eficácia em manter a PIO estável durante as 24 horas, incluindo o período noturno.
Em indivíduos saudáveis, a pressão intraocular (PIO) não é estática; ela apresenta uma variação circadiana fisiológica. Geralmente, essa flutuação nictemeral oscila entre 2 a 5 mmHg ao longo de 24 horas. Estudos mostram que, na maioria das pessoas, os níveis de PIO tendem a ser mais elevados durante o período noturno ou nas primeiras horas da manhã, devido a mudanças na posição do corpo (decúbito horizontal aumenta a pressão venosa episcleral) e variações na produção do humor aquoso. No entanto, essa variação é mantida dentro de limites estreitos em olhos sem patologia.
Pacientes com hipertensão ocular ou glaucoma apresentam uma instabilidade maior nos mecanismos de autorregulação da dinâmica do humor aquoso. Nesses indivíduos, a flutuação da PIO costuma ser significativamente maior do que em pessoas normais, frequentemente excedendo 10 mmHg. Essa instabilidade é um fator de risco independente para a conversão de hipertensão ocular em glaucoma e para a progressão do dano glaucomatoso em pacientes já diagnosticados. Quanto maior o valor basal da PIO, maior tende a ser a sua variabilidade diária.
A curva tensional diária (ou o teste de sobrecarga hídrica como substituto clínico) é fundamental porque uma única medida isolada da PIO no consultório pode não captar o pico pressórico do paciente. Estima-se que até 50% dos picos de PIO ocorram fora do horário comercial (especialmente de madrugada). Identificar esses picos e a amplitude da variação é crucial para ajustar a terapia em pacientes que apresentam progressão do dano de campo visual ou de escavação do nervo óptico, mesmo com medidas de consultório aparentemente normais.
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