CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Paciente com glaucoma primário de ângulo aberto, com pressão intraocular basal de 22 mmHg bilateralmente, sem hipotensores, iniciou o uso correto de maleato de timolol 0,5% duas vezes ao dia em ambos os olhos. Apesar do colírio, a campimetria mostrou piora confirmada da neuropatia glaucomatosa. É correto afirmar que:
Progressão campimétrica com PIO 'normal' → A PIO atual não é a PIO-alvo; otimizar terapia imediatamente.
A pressão intraocular alvo é o nível pressórico estimado para interromper ou retardar a progressão do dano glaucomatoso, devendo ser individualizada e reajustada se houver piora clínica.
O manejo do Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA) é centrado na redução da PIO, o único fator de risco modificável comprovado. O caso clínico demonstra um erro comum: a aderência a valores absolutos de PIO em vez de focar na estabilidade funcional do paciente. O timolol, um betabloqueador, reduziu a PIO, mas não o suficiente para aquele indivíduo. A literatura médica, incluindo o estudo EMGT (Early Manifest Glaucoma Trial), reforça que cada mmHg de redução na PIO diminui o risco de progressão em cerca de 10%. Portanto, se a neuropatia piora, a meta terapêutica deve ser mais agressiva. A 'pressão alvo' é um conceito dinâmico e clínico, não meramente estatístico.
A pressão intraocular (PIO) alvo é uma estimativa clínica do nível de pressão no qual se espera que o dano ao nervo óptico seja interrompido ou significativamente retardado. Ela não é um número fixo para todos os pacientes; é calculada com base na PIO basal, na gravidade do dano inicial, na idade do paciente e em outros fatores de risco. Geralmente, inicia-se com uma redução de 20% a 30% da PIO basal, mas esse valor deve ser constantemente reavaliado conforme a evolução do campo visual e da camada de fibras nervosas.
O valor de 21 mmHg é apenas uma média estatística e não define 'normalidade' para todos os indivíduos. Muitos pacientes apresentam o chamado Glaucoma de Pressão Normal, onde o dano ocorre em níveis pressóricos convencionalmente aceitos. Além disso, flutuações na PIO (picos pressóricos fora do horário da consulta) ou fatores não pressóricos (vasculares, genéticos) podem contribuir para a progressão. Se há piora na campimetria, a PIO atual, mesmo que seja 15 mmHg, é excessiva para aquele nervo óptico específico.
Diante de uma progressão confirmada (através de exames seriados e confiáveis), a conduta mandatória é a intensificação do tratamento para atingir uma nova PIO alvo, mais baixa que a anterior. Isso pode ser feito adicionando novos colírios de classes diferentes (como análogos de prostaglandinas ou inibidores da anidrase carbônica), realizando procedimentos a laser (como a trabeculoplastia seletiva) ou indicando cirurgia filtrante, dependendo do estágio da doença e do perfil do paciente.
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