CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Assinale a alternativa correta sobre a medida da pressão intraocular:
A mudança de decúbito sentado para supino ↑ a PIO devido ao ↑ da pressão venosa episcleral.
A pressão intraocular não é estática; ela sofre influência direta da gravidade e da postura, sendo significativamente maior em posição supina.
A medida da pressão intraocular é um pilar no manejo do glaucoma, mas sua interpretação exige cautela. Fatores como a espessura corneana, a biomecânica ocular e a postura do paciente no momento da aferição podem induzir a erros diagnósticos se não forem devidamente ponderados. Este conhecimento é vital para residentes, pois a variação nictemeral e postural da PIO explica por que alguns pacientes apresentam progressão do dano glaucomatoso mesmo com medidas de consultório aparentemente controladas. A compreensão da fisiologia do escoamento do humor aquário é fundamental para a prática oftalmológica.
O aumento da pressão intraocular (PIO) ao passar da posição sentada para a supina (deitada) ocorre principalmente devido ao aumento da pressão venosa episcleral. Como o escoamento do humor aquário depende do gradiente de pressão entre a câmara anterior e as veias episclerais, qualquer elevação na pressão venosa dificulta a drenagem, elevando a PIO. Além disso, alterações no volume sanguíneo coroidal e a redistribuição de fluidos corporais na posição horizontal contribuem para esse fenômeno. Em pacientes com glaucoma, essa variação postural pode ser ainda mais acentuada, o que pode contribuir para a progressão da doença durante o sono.
A tonometria de aplanação de Goldmann, o padrão-ouro, pressupõe uma espessura central da córnea (ECC) média de aproximadamente 520 a 540 micrômetros. Córneas mais espessas oferecem maior resistência à deformação, gerando medidas falsamente elevadas da PIO. Inversamente, córneas finas são mais facilmente aplanadas, resultando em medidas subestimadas. Embora existam fórmulas de correção (como a mencionada na alternativa D, que está numericamente incorreta na questão), a prática clínica moderna recomenda considerar a ECC como um fator de risco independente, especialmente em córneas finas, que estão associadas a um maior risco de progressão para glaucoma.
A média da pressão intraocular na população geral é de aproximadamente 15,5 mmHg, com um desvio padrão de cerca de 2,6 mmHg. O valor de 21 mmHg, frequentemente citado, representa dois desvios padrões acima da média, abrangendo cerca de 95% da população saudável. Portanto, ter uma PIO de 21 mmHg não define glaucoma, assim como ter uma PIO abaixo de 21 mmHg não exclui a doença (como no glaucoma de pressão normal). A avaliação deve sempre ser individualizada, considerando o aspecto do nervo óptico e o campo visual do paciente.
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