MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Dona Maria, uma paciente de 72 anos com histórico de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, faz uso regular de enalapril, metformina e glibenclamida. Durante uma consulta de rotina, ela queixa-se de dor persistente em queimação nos membros inferiores, compatível com neuropatia diabética. O médico assistente avalia as opções terapêuticas e considera um fármaco que possui excelente eficácia analgésica em ensaios clínicos, mas que apresenta um perfil de inibição enzimática do citocromo P450 (CYP2C9). O médico reconhece que essa inibição poderia elevar perigosamente os níveis plasmáticos da glibenclamida, aumentando o risco de hipoglicemia severa. Diante desse cenário, ele decide por uma alternativa terapêutica que não interfira no regime atual da paciente. Ao ajustar a escolha do fármaco baseando-se especificamente nas comorbidades e na polifarmácia da paciente para evitar interações prejudiciais, o profissional está aplicando qual critério fundamental da Prescrição Racional?
Sempre que um paciente idoso em polifarmácia precisar de um novo medicamento, o critério de 'Adequação' deve preceder a 'Eficácia'. Uma droga menos potente, mas sem interações, é superior a uma droga 'padrão-ouro' que causa efeitos adversos graves por interação.
A Prescrição Racional de Medicamentos, conforme preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um processo dedutivo que visa garantir que o paciente receba o medicamento apropriado às suas necessidades clínicas, em doses correspondentes aos seus requisitos individuais. No caso de pacientes idosos com múltiplas comorbidades, o critério de 'Adequação' torna-se o pilar mais crítico. Ele exige que o médico avalie se a droga escolhida, mesmo sendo eficaz e segura em termos gerais, não causará danos devido a interações farmacocinéticas ou farmacodinâmicas com o regime atual do paciente. No cenário clínico apresentado, a escolha de um analgésico que não interfira no metabolismo da glibenclamida via citocromo P450 (especificamente a isoenzima CYP2C9) exemplifica a aplicação prática da adequação. Ao evitar fármacos que inibem essa via, o profissional previne eventos adversos graves, como a hipoglicemia iatrogênica. O domínio desses conceitos, aliado ao uso de ferramentas como os Critérios de Beers, é essencial para reduzir a morbimortalidade associada à polifarmácia e garantir a segurança do paciente geriátrico.
1. Definir o problema do paciente; 2. Especificar o objetivo terapêutico; 3. Verificar a adequação do medicamento-P; 4. Iniciar o tratamento; 5. Dar informações e instruções; 6. Monitorar o tratamento.
Eficácia é o resultado obtido em condições ideais e controladas (estudos clínicos). Efetividade é o resultado observado na prática clínica real, onde existem falhas de adesão e variações individuais.
Na hierarquia da OMS, primeiro garantimos que o fármaco funciona (eficácia), não mata o paciente (segurança) e serve para ele (adequação). O custo é o critério de desempate entre opções que atendem aos três primeiros requisitos.
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