Prescrição Pós-Infarto: Medicamentos Essenciais na Alta

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 50 anos foi internado com infarto do miocárdio de parede anterior (com elevação de segmento ST). Foi submetido à angioplastia com implante de stent farmacológico na artéria descendente anterior. No 10º dia de internamento, realizou ecocardiograma que identificou fração de ejeção de 50% e estava em programação de alta hospitalar. Qual das opções abaixo NÃO deverá constar de sua prescrição de alta?

Alternativas

  1. A) Estatina de alta potência (independente do nível sérico de colesterol)
  2. B) Ácido acetil salicílico (com previsão de uso por tempo indeterminado)
  3. C) Ticagrelor (com previsão de uso por um ano)
  4. D) Captopril (com previsão de uso por tempo indeterminado)
  5. E) Nifedipina (se desenvolver dor anginosa refratária a betabloqueador e nitrato)

Pérola Clínica

Pós-IAM com stent: Estatina alta potência, AAS (indefinido), P2Y12 (1 ano), IECA (indefinido). Nifedipina não é primeira linha para angina pós-IAM.

Resumo-Chave

A prescrição de alta pós-infarto com supradesnivelamento do segmento ST e angioplastia com stent farmacológico deve incluir terapia antiagregante dupla, estatina de alta potência e inibidor da ECA/BRA. Bloqueadores de canal de cálcio como a nifedipina não são a primeira escolha para angina pós-IAM, especialmente em pacientes com disfunção ventricular.

Contexto Educacional

O manejo pós-infarto do miocárdio com elevação do segmento ST (IAMCSST) e angioplastia com implante de stent farmacológico exige uma prescrição de alta rigorosa e baseada em evidências para prevenir eventos isquêmicos futuros e melhorar o prognóstico. A terapia medicamentosa é multifacetada e visa estabilizar a placa aterosclerótica, prevenir trombose e remodelamento ventricular. Os componentes essenciais da prescrição incluem: terapia antiagregante dupla (AAS por tempo indeterminado e um inibidor P2Y12, como ticagrelor ou clopidogrel, por 12 meses após stent farmacológico), estatina de alta potência (independentemente dos níveis de colesterol, para estabilização de placa), betabloqueadores (para reduzir mortalidade e eventos isquêmicos, se não houver contraindicações) e inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) (para prevenção de remodelamento ventricular e insuficiência cardíaca, especialmente em pacientes com disfunção ventricular ou diabetes). A nifedipina, um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico de curta ação, não é a escolha preferencial para angina pós-IAM, pois pode causar taquicardia reflexa e aumentar o consumo de oxigênio miocárdico, potencialmente piorando a isquemia. Outros bloqueadores de canal de cálcio, como anlodipino ou diltiazem/verapamil (em casos selecionados e sem disfunção ventricular), podem ser considerados, mas betabloqueadores e nitratos são a primeira linha para controle da angina após IAM.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares da terapia medicamentosa pós-infarto do miocárdio com stent?

Os pilares incluem terapia antiagregante dupla (AAS + inibidor P2Y12), estatina de alta potência, betabloqueador (se não houver contraindicação) e inibidor da ECA ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA).

Por quanto tempo o ticagrelor deve ser mantido após implante de stent farmacológico?

O ticagrelor (ou outro inibidor P2Y12) deve ser mantido por 12 meses após o implante de stent farmacológico em pacientes com síndrome coronariana aguda, em combinação com o AAS, para prevenir trombose do stent.

Por que a nifedipina não é a melhor opção para angina pós-infarto?

A nifedipina (diidropiridínico de curta ação) pode causar taquicardia reflexa e hipotensão, o que pode aumentar o consumo de oxigênio miocárdico e piorar a isquemia em pacientes pós-infarto. Betabloqueadores e nitratos são as primeiras escolhas para angina.

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