Prescrição em Idosos: Riscos de Benzodiazepínicos e AINEs

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2016

Enunciado

Quanto à prescrição de medicamentos em idosos, pode-se afirmar que: I. O uso de benzodiazepínicos está associado a uma diminuição no risco de quedas. II. Os anti-inflamatórios não hormonais são considerados medicamentos seguros para o uso em idosos com dor crônica.III. Parkinsonismo decorrente do uso de flunarizina deve ser tratado com precursores dopaminérgicos (levodopa). Quais afirmativas estão corretas?

Alternativas

  1. A) I e II.
  2. B) I, II e III.
  3. C) III.
  4. D) Nenhuma.

Pérola Clínica

Benzodiazepínicos e AINEs são medicamentos de alto risco em idosos, aumentando quedas e toxicidade gastro/renal.

Resumo-Chave

A prescrição de medicamentos para idosos exige cautela devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas. Benzodiazepínicos elevam o risco de quedas e AINEs são associados a toxicidade renal e gastrointestinal, sendo frequentemente inadequados para uso crônico. Parkinsonismo induzido por drogas, como flunarizina, geralmente requer a suspensão do agente causal, e não o uso de levodopa, que é para Parkinson idiopático.

Contexto Educacional

A prescrição de medicamentos para idosos é um desafio clínico complexo, dada a polifarmácia comum, as alterações fisiológicas do envelhecimento que afetam a farmacocinética e a farmacodinâmica, e a maior suscetibilidade a efeitos adversos. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam cientes dos medicamentos potencialmente inapropriados para essa população, frequentemente listados em critérios como os de Beers. A avaliação individualizada e a busca por alternativas mais seguras são fundamentais para otimizar a terapia e minimizar riscos. Medicamentos como benzodiazepínicos e anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são exemplos clássicos de fármacos que exigem extrema cautela em idosos. Benzodiazepínicos, devido ao seu potencial sedativo e relaxante muscular, aumentam drasticamente o risco de quedas e fraturas, além de poderem causar confusão e comprometimento cognitivo. Já os AINEs, mesmo em doses terapêuticas, podem precipitar insuficiência renal aguda, exacerbar hipertensão arterial e causar sangramento gastrointestinal, condições às quais os idosos são particularmente vulneráveis. O parkinsonismo induzido por drogas, como a flunarizina, é outro ponto de atenção; sua abordagem difere do Parkinson idiopático, focando na retirada do agente etiológico em vez da reposição dopaminérgica. A compreensão desses princípios é vital para a prática clínica e para a aprovação em provas de residência. A segurança do paciente idoso deve ser a prioridade, e isso envolve uma revisão contínua da medicação, a desprescrição de fármacos desnecessários ou de alto risco, e a escolha de alternativas mais seguras sempre que possível. A educação sobre farmacologia geriátrica e os riscos associados a classes de medicamentos específicas capacita o residente a tomar decisões terapêuticas mais informadas e a melhorar a qualidade de vida de seus pacientes idosos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos dos benzodiazepínicos em idosos?

Os benzodiazepínicos aumentam significativamente o risco de quedas, fraturas, confusão mental e sedação excessiva em idosos, devido à sua meia-vida prolongada e maior sensibilidade a seus efeitos no sistema nervoso central.

Por que os AINEs são considerados de alto risco para idosos com dor crônica?

Os AINEs apresentam alto risco de toxicidade gastrointestinal (úlceras, sangramento), renal (insuficiência renal aguda) e cardiovascular (hipertensão, eventos trombóticos) em idosos, que são mais suscetíveis a esses efeitos adversos.

Como deve ser tratado o parkinsonismo induzido por flunarizina em idosos?

O tratamento principal para o parkinsonismo induzido por flunarizina ou outras drogas é a suspensão do agente causal. A levodopa é geralmente ineficaz e não indicada, pois o mecanismo não é a deficiência de dopamina, mas sim o bloqueio de seus receptores ou outros efeitos extrapiramidais.

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